ILUSTRADO
Sábado, 23 de Junho de 2012, 13h:24
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CONFERÊNCIA
Rio mais ou menos 20
O DC Ilustrado esteve em território carioca durante sete dias e acompanhou fragmentos de evento em torno da sustentabilidade
Lorenzo Falcão*
Da Editoria
O poeta autografa o livro, entrega-o ao personagem real à sua frente e diz e escreve onde anotaria a data abaixo da dedicatória: Rio+20. Jonas Banhos, um palhaço ribeirinho que navega por águas amazônicas manejando seu talento e uma barca literária agradece a doação, dá um sorriso maroto e diz: Quer dizer... Rio mais ou menos 20. Foi só um flagrante, um pequeno detalhe da incrível biodiversidade humana que circulou no Aterro do Flamengo, na zona sul carioca, onde aconteceu a Cúpula dos Povos nestes dias de Conferência das Nações Unidas. Nesse pedaço da orla da Baía da Guanabara a manifestação da vontade popular foi livre. Controvérsias e convergências são e dão sinais de democracia. Não é necessário nenhum crachá pra se adentrar. E cabe o escracho, seja ou não um trocadilho. A quilômetros de distância dali, no Rio Centro, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro, num local confinado, fechado e com entrada permitida somente aos que têm crachás, chefes de estados e representantes de quase 200 países providenciaram documento voltado para a sustentabilidade global. O resultado final dessa proposta não conquistou o apoio popular. Cientistas e economistas vários também o repudiaram e chegou a ser questionado o gasto com a conferência 150 milhões de dólares, para se chegar a uma carta final tão pouco ambiciosa. Difícil é mesmo agradar a todos. E fácil é constatar o clichê que predomina em eventos como a Rio+20: faltou vontade política. As governanças costumam não corresponder aos anseios populares. Não é que não faz mal e que está tudo bem, mesmo com a expectativa geral não premiada. O assunto, a Rio+20, está nos cadernos de economia e de política na mídia mundial. Está espalhado nos diferentes setores da comunicação global, já que o meio ambiente é um tema transversal e que, obrigatoriamente, deve invadir todas as vertentes e espaços midiáticos. O DC Ilustrado não esteve na Rio+20 para acompanhar a investigar aspectos sócio econômicos e ambientais da conferência. Sondar e fazer alguns registros do engajamento das artes, dos artistas e instituições culturais na temática ambiental também seria uma pauta muito ampla, mas foi por aí. Bastou deixar rolar e aproveitar alguns convites. Não é de hoje que muitos artistas vêm apoiando a causa. Um evento que explorou o tema Capital Natural, por exemplo, trouxe o ator Edward Norton (Clube da Luta e O Incrível Hulk) ao Rio de Janeiro. Norton, mesmo bastante tímido, mostrou-se a vontade no evento e reagiu tranquilo a inevitável sessão de tietagem. A atriz brasileira de projeção internacional, Alice Braga, gravou audiovisual sem estardalhaços para uma ONG, repudiando os maus tratos aos animais. A Oi Futuro também mostrou sua pegada verde. Aproveitou para lançar o Gira Brasil, projeto que vai espalhar 60 Eco Pontos trabalhados por artistas como Daniel Azulay, Thaís Ueda e Kobra, entre outros; incentivando o descarte e coleta seletiva de resíduos. Situada na praia do Flamengo, próxima a Cúpula dos Povos, a Galeria Coleção de Arte promoveu a exposição O Resto é Arte, viajando pela contemporaneidade do fazer artístico destes tempos modernos. BARRADO NO BAILE Outro brasileiro que goza de prestígio internacional é o artista plástico Vik Muniz. Coordenou a concepção de uma imensa obra coletiva, com participação popular aberta, criada a partir da utilização de resíduos descartáveis. A organização do espaço Cúpula dos Povos, devido aos patrocinadores do trabalho de Muniz, vetou a participação do artista dentro dos limites da Cúpula dos Povos. A situação foi contornada com a instalação da arte de Vik num grande galpão próximo a Cúpula. E o artista, claro, foi prestigiado e contou com a participação de centenas de anônimos na elaboração de sua obra, a concepção de uma paisagem carioca totalmente montada com descartáveis. *O editor do DC Ilustrado viajou para o Rio de Janeiro com apoio da loja Rosa Miranda