NA HORA
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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 03 de Abril de 2010, 13h:31

CRÔNICA

Retícula

Luís Gonçalves
Especial para o Diário de Cuiabá
Para falar de amor ainda sou menor. Experimento a fase dos predicados. A bela época em que as frases saltam com extrema facilidade e pairam entre lábios sedentos de emoções. Momentos e detalhes inesquecíveis. Poucas vezes senti aquele fogo consumidor que depura a alma dos amantes. Poucas vezes vivi algo tão intenso que pudesse me levar a falar algo a respeito. O amor é um ser tão complexo que ganha fama, corpo e alma. Sim! O amor existe para quem consegue trocar a vida por um sonho que nasceu no frescor da liberdade. Para quem deseja tanto algo a ponto de deixar a realidade acontecer. Onde não há limite que possa ser descrito. Não há medida para a alma repleta de amor. O amor não tem dono. É independente como as plumas soltas no vento. E tão frágil como as bolhas de sabão ao ar. Para o amor não há alternância de valores. A fragrância do amor é inconfundível. Só não é puro porque vem envolto em realidades completamente diferentes. Por isso é um ser delicado. Nasce em berço desconhecido e cresce em territórios minados. Prega peças em adultos confessos e levam meninos e meninas a tomarem decisões que poucos mestres se atreveriam assumir. O amor doma a rebeldia, acalma a adrenalina e encerra o medo em grades de desespero. Possui a força dos oceanos e nunca esgota na onda de prazer. É mero frequentador das praias que floresce paixões. Qualquer sentimento por maior que possa ser, é nada além de pequenas gaivotas que sobrevoam esse manancial que simplesmente chamamos: amor! Amigo da alegria, o amor é inquieto, provocante e sugestivo. Porém, se refugia na paz. Adormece na tranquilidade e se deleita nos sonhos. Transforma o fraco em herói e faz do grande rei mero plebeu. Socializa pensamentos e faz da comunicação uma pequena poesia. Para o amor não há justiça. A lei é o prazer de amar. Não há uma lógica que define esse ser que se descobre em meio o mais inusitado canteiro. Conquista os campos e afaga a fauna e a flora. Ignora os delírios e faz dos rios pequenas veias que sangra a terra em charmosa beleza. Possui uma medida de grandeza tão infinita que falar de amor é banalizar o real. É forrar a sabedoria de equívocos. Para falar de amor é necessário estar pronto para se surpreender com o inevitável. Assumir o inesquecível e submeter a loucura de viver cem anos em poucos minutos. Trocar o relógio pelo apelo da amizade. Ser tão bobo a ponto de sorrir da própria forma estranha de prazer. Para falar de amor é preciso ter a coragem de assumir os erros que não praticaste. Viver embriagado sem vinho. Acreditar na cruel mentira e confiar em atributos insignificantes. O amor é a fiel certidão humana: rasurada e deteriorada pelo tempo. Porém, tão animadora e viva a cada emoção. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado [email protected]

Edição EDIÇÃO 16963




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