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ILUSTRADO
Terça-feira, 25 de Novembro de 2014, 20h:41

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Renoir e as vicissitudes da paixão

Juarez Compertino
Especial para o DC Ilustrado
Raras são as cinebiografias que podem ser exemplos de bons filmes. O encantador e envolvente “Renoir” (França, 2012), do cineasta francês Gilles Bourdos, pode ser considerado um bom retrato do icônico pintor impressionista Pierre-Auguste Renoir (1841-1919) se os seus admiradores, que sabem muito bem da história do biografado, não ficarem perturbados pelas liberdades tomadas pelo roteiro. O drama recorta o período dos últimos anos de vida do mestre da pintura, já envelhecido e fragilizado pela perspectiva da morte, e o seu relacionamento com o filho, Jean Renoir (1894-1979), que se tornaria no futuro um grande e esplendoroso diretor na história do cinema francês. No verão de 1915, na Riviera Francesa, o septuagenário pintor Renoir (Michel Bouquet) contratou uma nova — e sua última — modelo, a independente, desbocada e intrometida Andrée Heuschling (Christa Theret), que daria uma nova vida ao artista, então sofrendo com a artrite, mas ainda de pincel em punho. Atraído pela beleza da jovem, Jean (Vincent Rottiers), que na época tem as primeiras experiências com a sétima arte desacreditadas pelo pai, se apaixona pela musa do pintor, e torna a moçoila atriz de seus filmes. O relacionamento entre os três é tumultuado, mas o filme evita que o centro da discussão seja a atração física, mergulhando no universo artístico, encontrando momentos definidores, quando há um equilíbrio harmonioso no ambiente que os rodeia, e os sentimentos e a energia que isso deflagram em pai e filho, traduzindo o caso e o nascimento de dois grandes artistas, suas emoções e impressões da vida e da arte. Com sensibilidade e segurança, a direção de Bourdos conseguiu não apenas reproduzir na tela a paleta inconfundível de Renoir, com suas cores vibrantes e as luzes intensas, mas, também, criar uma obra belíssima, delicada e comovente. Um feito e tanto. “Renoir” está disponível em DVD no mercado do home-vídeo.

Edição EDIÇÃO 16967




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