A começar pelos sons das folhas e o chilrear dos pássaros a vida transpira arte em movimento que ocupa todos os detalhes. São bolhas de sabão ao vento que aguardam pacientemente a intervenção do artista. Olhares generosos que desnudam emoções. Compõem lembranças e fazem da nobre matriz apenas sombras sorrateiras que deslizam pelo ébrio caminho da perfeição. Traços inconfundíveis da razão. Enquanto tudo é quase uma perfeição, o artista lambe a própria cria. Amplia contrastes com pequenos e inócuos pigmentos lúdicos que contaminam e convergem em direções contrárias e contínuas. Monumento mórbido de saltos e sobressaltos que entoam, afinam e desafinam, porém simplesmente perturbam. Sendo a forma da arte necessária. Além de básica, atual. Pintar é pouco para pinceladas nobres. São pontes que embelezam e vibram quase em uníssonos dentro de agitos nobres que eternizam pulsos febris e lisonjeiros. Alguns centímetros de uma arte efêmera. Enquanto atos e artistas digladiam em campos de batalhas rudes vestidos apenas de simples semióticas alusivas ao status quo da ordem; verdes sementes são lançadas como petardos assassinos embrulhados entremeios os efeitos burlescos. Quase tudo se envolve em ritmos inebriantes ou intrepidamente volumosos; como ramos de palha benta. Dá pinta de tudo o que é perto. Longe da visão imoral: suburbana e cada vez mais próxima da simples realidade fantástica inconfundível. A contar pelos arremessos das borras coloridas o quadro ainda não está totalmente pronto. Faltam luzes no realce e acabamento na rebarba. Mas as cores são contínuas e agridem lentamente o olhar observador. Abusando das linhas e retas dos balanços ensurdecedores o volume que vem e que vai encontra a violência nada física e cada vez mais constrangedora de simples imagens em profusão. Desde a quina da manhã até o rabo da noite são tinturas que cruzam as linhas das memórias e seguem além de horizontes afogados em crepúsculos viúvos e órfãos de meras mensagens cada vez mais infinitas. As molduras devidamente apoiadas embalam belas gotas ardentes de espasmos explosivos recheados de combinações quase perfeitas. Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado (
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