ILUSTRADO
Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011, 20h:28
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CULTURA
Pela descentralização
Discussões sobre os fazeres e saberes culturais não podem se resumir a pequenos grupos privilegiando determinadas regiões ou segmentos
Claudio de Oliveira
Da Redação
Que a cultura pode e deve ser vista como um forte elemento de desenvolvimento social e um campo de profissionalização para o trabalho e renda gerando oportunidade ninguém mais dúvida. Programas como Cultura Viva contribuíram fortemente para a estruturação de pontos de fomento a cultura, principalmente nas comunidades e favelas brasileiras, contribuindo para que elas saíssem do patamar de apenas público-alvo, cliente dos projetos para seus próprios produtores, gestores da cultura popular. O fazer cultural tem sido alvo de teorizações e vem conquistando espaços após o reconhecimento do seu valor econômico, discussões iniciadas no âmbito do Mercosul e do ministério da Cultura (MinC) com Gilberto Gil. Acontece que as pessoas que estão lá na ponta, produzindo cultura na cozinha; bolo de arroz, Maria Izabel, Pacu seco, Revirado, às vezes nem sabem que o que fazem é cultura. Uma iniciativa recente de descentralizar as discussões do Fórum Permanente de Cultura de Mato Grosso ganha espaço e respaldo justamente por levar estas discussões a outras esferas que não as tradicionais. Discutir com a população dos bairros adjacentes ao Osmar Cabral, primeira reunião deste novo Fórum, é um exemplo que mostra a vontade de expandir ou incluir mais pessoas no processo. As festas de santo, o carnaval, as oficinas musicais, entre outras atividades artísticas realizadas nas comunidades estão sendo ampliadas com a descentralização das ações implementadas pelo MinC e até algumas pela secretaria estadual e pela prefeitura municipal de Cuiabá (caso do Carnaval descentralizado da gestão Mário Olímpio). Inclusive, estas atividades vem sendo cada vez mais respeitadas como práticas essenciais para formação da identidade de um povo. Envolver as pessoas, os cidadãos, neste processo de apropriação dos valores simbólicos e culturais com objetivo de conscientizar e viabilizar uma sociedade mais crítica e participativa em relação à cultura e os recursos que giram em torno desta rubrica devolve à comunidade o direito de produzir a própria cultura através dos projetos culturais feitos por ela mesma. Com esse empoderamento popular, reflexo dessas práticas das Políticas Públicas, a comunidade em si passa a exigir seus direitos com mais ênfase, exigindo que as particularidades de cada comunidade sejam consideradas e também contempladas em projetos. Esse novo campo de debate foi batizado de Fórum Descentralizado da Cultura Cuiabana. Vivemos um momento na cultura de discussões calorosas em relação ao novo Conselho Estadual de Cultura e junto com esta precisamos urgentemente discutir um Plano Estadual de Cultura o que pode ser ofuscado pela discussão anterior dada a natureza imediatista do ser humano. Todavia, esta construção do plano será tanto melhor quanto mais pessoas puderem ser ouvidas e se fazerem presentes, atores da sua própria realidade. O Fórum Descentralizado não esvazia o Fórum Permanente, e pode agregar ainda mais atores para esta luta necessária e urgente. Serviço: O QUE: Fórum Descentralizado da Cultura Cuiabana do entorno do Osmar Cabral QUANDO: 28 de Janeiro, sexta-feira, às 20h ONDE: Escola Municipal Ana Luiza Prado Bastos, localizada na Rua 15, Quadra 12, S/Nº Osmar Cabral (Próximo a Igreja Católica São Francisco de Assis -Osmar Cabral) .