ILUSTRADO
Quinta-feira, 03 de Janeiro de 2013, 20h:45
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EXPOSIÇÃO/MASP
Paulo Nazareth, artista que anda
Ele saiu de Santa Luzia, cidade mineira próxima a Belo Horizonte, e demorou mais de seis meses para chegar a Nova York. Foi de carona e a pé mesmo, em alguns trechos. Tem suficiente para selecionar um bocado de coisas que achou pelo caminho. Além dessa tralha toda, há fotografias. Essa é a exposição do artista Paulo Nazareth, em cartaz no Masp, até 10 de março. Nazareth foi o vencedor do prêmio MASP Mercedes-Benz de Artes Visuais 2012, na categoria artista emergente. Sua mostra, "Notícias de América", resulta dessa viagem pelos continentes americanos. O artista disse que ao longo dessa andação toda, não lavou os pés, e só fez isso quando aportou em Nova York, e no Rio Hudson. Até se tornar artista premiado, profissionalmente, Paulo Nazareth também enfrentou outro tipo de peregrinação: foi empregado doméstico, jardineiro, pipoqueiro, padeiro, agente de saúde e outras coisas. Numa certa altura de sua múltipla formação, juntou dinheiro, fez um curso pré-vestibular e foi aprovado no curso de Belas Artes da UFMG. Depois de graduado, estudou linguística e experimentou diversas residências artísticas. Ele tem como fundamento a peregrinação, o que traz uma conotação religiosa ao projeto. No entanto, também é irônico, pois a peregrinação sempre leva a algum lugar e, neste caso, levava aos EUA, centro principal da religião capitalista, ao mesmo tempo em que Paulo propunha uma transformação nos temas centrais ao capitalismo moderno como nacionalismo e globalização, identidade, questões econômicas propriamente ditas, sobrevivência e exclusão, explica sobre o artista e sua obra, o crítico de arte Ricardo Sardenberg, autor do livro "Arte Contemporânea no Século XXI - 10 brasileiros no circuito internacional" (Editora Capivara). Entre os planos futuros do artista está uma outra viagem, também a pé e de carona, mas, desta feita, pelo continente africano.