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ILUSTRADO
Sábado, 05 de Abril de 2008, 13h:53

CRÔNICA

Passei a mão na b... da Jennifer Lopez

De passagem por Londres, nosso colaborador encontrou inúmeras celebridades e tentou puxar conversa algumas delas, mas não conseguiu. Então...

Rodrigo Capella*
Especial para o Diário de Cuiabá
Fiquei pouco tempo em Liverpool. A cidade é pequena, os bares fecham cedo e as mulheres não caíram na minha conversa. Sem atrativo algum, me mandei para a capital inglesa. Londres, em alguns aspectos, me lembrou as grandes cidades brasileiras: trânsito, mendigos, fumaça pra todo lado e muitos imigrantes. É lógico que não foi difícil encontrar brasileiros. E das maneiras mais engraçadas. Caminhando pelas calçadas de mapa na mão, observava as construções típicas e antes que eu chegasse ao grande Big Ben, um sujeito disse assim mesmo, em português: “precisa de ajuda?”. “Não, obrigado. Como você sabe que eu sou brasileiro?”. Ele respondeu: “pela sua roupa, aqui nem está tão frio e você está com três casados”. Aproveitei: “o que tem de bom pra fazer aqui?”. “Há, tem a Jennifer Lopez”. “Onde?”. “No Madame Tussauds”, respondeu o brasileiro, que rapidamente sumiu, como se tivesse entrado no bueiro do Mestre Splinter. Levei um susto, é claro, embora os meus amigos tivessem me alertado sobre Londres. Falaram que eu ia encontrar de tudo: loucos, estátuas, pilantras, viajantes e ladrões. Passei a mão na calça. Ufa! A carteira estava lá. Prossegui rumo ao Big Ben e me decepcionei. O nome do grande e famoso relógio inglês, que pesa 13 toneladas e foi instalado no Palácio de Westminster, chama-se Tower Clock. Durante 27 anos, achei que seu nome era Big Ben e, durante poucos segundos, percebi que estava errado. Mas, não só eu: 90% dos turistas de Londres estavam enganados também. Alívio! Continuei a minha caminhada. Queria a todo custo conhecer Jennifer Lopez e de quebra passar a mão na bunda dela. Sonhava com isso há 20 anos e parecia ter chegado a hora. Atriz, cantora, dançarina, compositora, linda e sensual. Essa é Jennifer, que, ao lado de Julia Roberts, é uma das atrizes mais bem pagas de Hollywood. Sua fortuna? Algo em torno de $ 100 milhões. Corri até o Madame Tussauds e encontrei uma longa fila. Se eu não tivesse pré-determinado a ver a minha querida Jennifer, certamente teria desistido. Entre uma conversa e outra, a fila andou e soube que outras celebridades também estavam lá: Johnny Depp, George Bush, Pelé, Michael Schumacher e Paul McCartney. Avistei Johnny Depp e fui falar com ele em inglês: “oi, sou brasileiro, gostei muito do Piratas do Caribe. Sua atuação foi muito divertida, dei várias risadas. Johnny, quando vai ser seu próximo filme, você já sabe?”. Johnny não respondeu. Tentei novamente: “Vi o seu primeiro filmes, chamado A Hora do Pesadelo. Foi meio assustador, é verdade, mas gostei. Você estava bem”. Ele não me respondeu. Caminhei pelo Madame Tussauds em busca de outra celebridade. Pessoas, de várias partes do mundo tiravam fotos com atores e atrizes, os mais famosos do mundo. Fiquei, por um instante, cara a cara com o George Bush. Não hesitei: “e aí, Bush, tudo bem? Como andam as eleições americanas?”. Ele não respondeu! Que gringo mal educado. Eu odeio o Johnny Depp e o Bush. Estava chateado, mas não desisti. Olhei para o lado e vi Pelé. “Ah! Esse é brasileiro e vai falar comigo”, pensei. Mas, estava enganado. Falei com ele sobre a Copa do Mundo de 1958 e o astro me ignorou. Conservei sobre Ronaldo, Ronaldinho e Alexandre Pato. Mas, Pelé não me respondeu e nem comentou. Caramba, por que estavam todos me ignorando? O que estava acontecendo? Caminhei, isolado e triste, por alguns minutos, quando me deparei com a minha Jennifer. Sem dificuldades, fui atrás dela, levantei sua saia e passei levemente a mão na bunda dela. Ah! Foi maravilhoso. Jennifer deu um sorrisinho como se estivesse gostando e quase chamei ela para dançar, mas havia muita gente querendo conversar com a atriz. Todo sorridente, andei até encontrar uma sala, repleta de rostos inacabados e com uma grande placa sobre Madame Tussauds. Descobri, então, que tratava-se de um museu de cera e que todas as celebridades que estavam lá não eram reais, e sim bonecos. Foi por isso que Johnny Depp, Pelé e Bush me ignoraram. Foi por isso que eu passei tranquilamente a mão na bunda da minha querida. Triste e ao mesmo tempo feliz caminhei pelo Museu, vi outras celebridades, tirei algumas fotos e abracei algumas modelos. Ah! Isso foi realmente bom. E já estava quase me esquecendo do verdadeiro motivo que me levou a visitar Londres: Sherlock Holmes. Ele morava nessa cidade e eu estava disposto a conhecê-lo o mais rápido possível. Quer saber como termina essa história? Então, não perca o texto do próximo domingo. Elementar, meu caro... (*) Rodrigo Capella é escritor e poeta. Autor de vários livros, entre eles “Rir ou chorar”, “Enigmas e Passaportes”, “Como mimar seu cão”. “Poesia não vende” e “Transroca, o navio proibido”, que está sendo adpatado para o cinema pelo diretor Ricardo Zimmer. Informações: www.rodrigocapella.com.br

Edição EDIÇÃO 16966




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