ILUSTRADO
Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010, 20h:28
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CINESESC
Pasolini no Imagens em Pauta
Um dos filmes mais perturbadores da história do cinema, Saló, ou os 120 dias de Sodoma (Saló o Le 120 giornate di Sodoma, Itália, 1975, 117 min), de Pier Paolo Pasolini, é atração desta terça-feira no CineSesc Arsenal. A sessão terá início, excepcionalmente, às 18:00, com a exibição do documentário Pasolini, nosso amigo (Pasolini prossimo nostro, Giusepe Bertolucci, Itália, 2006, 60 min). O documentário apresenta comentários e imagens do cineasta italiano durante as filmagens de Saló. O ingresso é gratuito. Os filmes finalizam o quarto ano de exibições do Imagens em Pauta, projeto realizado pelo Sesc Mato Grosso em parceria com a UFMT. Em 2010 foram exibidos 35 filmes, divididos em quatro ciclos, sob curadoria dos produtores culturais Diego Baraldi e Juliana Curvo, a partir de quatro cineastas que desenvolveram carreiras vinculadas à noção de cinema de autor. São eles: o espanhol Luis Buñuel (1900-1983); o americano John Cassavetes (1929-1989); o japonês Yasujiro Ozu (1903-1963) e o italiano Pier Paolo Pasolini (1922-1975). A curadoria do projeto contou com a colaboração de pesquisadores de cinema que desenvolveram textos de apresentação para os ciclos, como Maria Thereza Azevedo, Ana Maria Souza, Luiz Carlos de Oliveira Borges e Danilo Fochesatto, todos publicados no catálogo do Imagens em Pauta 2010. O público, formado por interessados em cinema e estudantes do Curso de Comunicação da UFMT, foi superior a mil espectadores. Sobre o filme Pasolini concebeu Saló após os filmes que compõem a chamada Trilogia da Vida" ("Decameron", "Os Contos de Canterbury" e "As Mil e Uma Noites"). Ao contrário dos filmes da Trilogia, onde o sexo era instrumento de prazer e libertação, em Saló o sexo é apresentado como instrumento de castigo e desespero. Salò é baseado no livro Os 120 dias de Sodoma, ou a Escola da Libertinagem, do Marquês de Sade, considerado a obra máxima deste autor que se tornou sinônimo de devassidão e violência sexual aberrante. Pasolini adaptou a trama, originalmente situada na França pós-revolução, para a Itália fascista, onde ele próprio viveu. Assim, ao invés de apenas narrar os horrores causados pelos quatro libertinos conhecidos como os amigos, Pasolini deu um passo além, encaixando a narrativa num dos momentos mais críticos da história humana, a Segunda Guerra Mundial. Pasolini morreria antes do filme estrear, brutalmente assassinado em novembro de 1975. SERVIÇO O QUE: Pasolini Nosso Amigo e Saló ou os 120 dias de Sodoma DIREÇÃO: Giusepe Bertolucci e Pier Paolo Pasolini QUANDO: Terça-feira (30/11), às 18:00. ONDE: CineSesc Arsenal CLASSIFICAÇÃO: 18 anos ENTRADA: Gratuita