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ILUSTRADO
Quarta-feira, 09 de Maio de 2007, 21h:05

ESTÊNCIL

Paredes se rendem... às idéias

A técnica do estêncil consiste num desenho ou ilustração que representa um número, letra, símbolo tipográfico ou qualquer outra forma ou imagem

ADRIANA NASCIMENTO
Da Reportagem
Mais do que o som do palco, a Casa Fora do Eixo, inaugurada há algumas semanas, transpira arte por todos os poros. Desde o entusiasmo dos precursores desta idéia, até as paredes. Depois de abrir espaço para a a arte fractal de Tuka Calgaro, que consiste na colagem de sulfite sobre papel cartão onde símbolos e elementos da evolução do homem se convergem traduzindo a ‘alma’ da Casa. Agora, juntando-se a estes trabalhos está o estêncil da jovem artista e pioneira no gênero feminino a disseminar esta arte pelo Estado, Carol Capellani. A técnica do estêncil consiste num desenho ou ilustração que representa um número, letra, símbolo tipográfico ou qualquer outra forma ou imagem, figurativa ou abstrata, que possa ser delineada por corte ou perfuração em papel, papelão, metal ou em outros materiais. O estêncil (do inglês stencil) obtido é usado para imprimir imagens sobre um sem-fim de superfícies que vão de tecidos a cimento. Para quem ainda não captou a idéia deste trabalho, o estêncil é uma forma muito popular de grafite, visto que é uma técnica rápida e simples. Em Cuiabá, além da Casa Fora do Eixo, também podem ser vistos estenceis em postes da avenida Beira-Rio e no Museu da Imagem e do Som (Misc). Carolina Capellani, de 21 anos, conta que trabalha com projetos culturais, moda e artes visuais. Ela explica que usa basicamente o estêncil, feito com moldes/máscaras, mas usa também colagens, e o que mais aparecer. “Tomei contato com estêncil quando morava no Rio de Janeiro, tinha muitos amigos grafiteiros e até fiz uma oficina de grafite. Mas até então nunca tinha mexido com a técnica. Quando cheguei a Mato Grosso, conheci o Martin Ortega e Arthur Amorin, que desenvolviam o trabalho com estêncil, e comecei a fazer com eles”, revela. Na Casa Fora do Eixo ela fez uma bailarina tocando numa tecla de computador (control V). Sua idéia é completada com outro estêncil feito por Arthur Amorim, que é um homen de terno e gravata, com cabeça de tv, e dentro da tv uma tecla Control C. “Escolhemos esse desenho porque tem tudo a ver com o mundo virtual no qual fazemos parte e o control C e control V, pelo fato de o estêncil ser sempre copiado e colado, ou por fotos ou por desenhos, quadros, mas são sempre reproduçoes de algo”, define. Já o estêncil do Misc, ela e Arthur fizeram Martin Ortega, auto-denominados de “7 anões da lata”. “Trabalho muito com um conceito, e não pintar só por pintar. E sim, sempre interferir com o ambiente urbano. O que me inspira é o fato de haver essa interferência no cotidiano das pessoas, de chamar a atenção delas para outras coisas. E quem me inspira são vários, mas cito um: Alexandre Orion (www.alexandreorion.com), ele trabalha com intervenção com estêncil e fotografia”, destaca. A técnica – O estêncil é feito com máscaras/moldes. Primeiro é preciso pegar uma foto ou desenho, trabalhá-la no photoshop, transformá-la em camadas, reproduzí-la em tamanho maior e desenhar no papel (Capelanni usa papel-cartão, mas o ideal é a radiografia). Daí corta-se com estilete e reproduzem-se as camadas na parede, com spray. Como surgiu – A técnica, segundo Carol, existe desde a pré-história. Isso porque muitos usavam moldes para fazer as pinturas rupestres, como a mão. Mas como forma de intervenção cultural o estêncil começou na decada de 70, mais exatamente no ano de 1979, com um grupo chamado 3NÓS3, que tinha como proposta, intervir na paisagem urbana de São Paulo propondo "intervenções". Era formado pelos artistas Hudinilson Hurbano Jr, Mano Ramiro e Rafael Franca.

Edição EDIÇÃO 16964




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