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Terça-feira, 11 de Janeiro de 2011, 20h:20

PESQUISA

O público do Calango

Pesquisa utilizou metodologia colaborativa e foi feita no Festival de 26 a 28 de novembro e a amostra é significativa com 152 entrevistados

Claudio de Oliveira
Da Reportagem
Quando se diz do Festival Calango aqui em Cuiabá, a maioria dos jovens, no mínimo, já ouviu falar, quando não estiveram em mais de uma edição. O Festival completou oito edições no ano passado e junto com a realização do evento que multiplicou-se em ações educacionais, esportivas e artísticas, uma pesquisa sobre o arranjo produtivo local (APL) foi realizada sob a coordenação do Marcus Franchi (DF), consultor de projetos e pesquisas. Ele contou com uma equipe representada por diversos coletivos, entre eles a CUFA-MT. A pesquisa do APL Fora do Eixo Cuiabá utilizou uma metodologia colaborativa, mobilizando agentes e explanando a proposta em uma mesa redonda do “Calango na mesa” onde, diga-se de passagem, na III edição do Calango, foi plantada a ideia do Circuito Fora do Eixo (CFE). É. Parece que o Calango continua com a intenção de se tornar protagonista de um processo amplo de formação e sustentabilidade da música independente brasileira, fazendo do próprio quintal o lugar onde colhe as flores no território nacional. Fora de Mato Grosso o CFE e o Espaço Cubo (realizador do Festival Calango) são normalmente ovacionados pelas iniciativas ousadas. O projeto contou com o apoio fundamental do governo federal por intermédio do Ministério da Ciência e Tecnologia e a Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social. A pesquisa foi realizada dentro do Festival de 26 a 28 de novembro e a amostra é significativa com 152 entrevistados. Há uma leve predominância do público masculino com 53%. Dentro perfil foram questionados sobre idade, sexo, opção sexual, uso de drogas e camisinha, etnia, religião, estado civil e composição familiar, além de grau de instrução, profissão e renda. Como era de se esperar 81% dos entrevistados têm entre 16 e 25 anos. Chama atenção o desprendimento em relação à opção sexual já que quase 20% (meio a meio) se declararam homossexuais ou bissexuais, ainda que a hegemonia caiba aos heterossexuais. A maioria também admite o uso de drogas, foram 73% da amostra. Contudo, o conceito de drogas está mais amplo já que entre as drogas citadas temos: 103 citações para álcool, 62 para cigarro, 45 para maconha e 19 e 18 para cocaína e remédios respectivamente. Não sabemos se antes de responderem à questão receberam a lista com as opções ou se a pergunta era aberta, ou seja, de livre citação sem múltipla escolha. No quesito religião o jovem “do Calango” oscila entre não ter religião nenhuma (38) e ser católico (36). Também aparecem o espiritismo com 17 citações e o ateísmo com 21. Ainda há quem se denomine hindu, budista ou gnóstico, todas lá embaixo do gráfico com uma citação cada. Outro ponto que não traz surpresas é a postura em relação à legalização da maconha. Veja bem, não é descriminalização, mas legalização, o que a pergunta propõe. E recebe o apoio de 70% dos entrevistados. Teoricamente, mesmo quem não fuma (apenas 45 pessoas admitiram o uso da cannabis) é a favor da legalização já que 106 pessoas se posicionaram desta maneira. A maioria esmagadora é solteira (82%) e apenas 17% se identificaram como negros. Consideram-se brancos (48%) e pardos (27%). Os jovens estão procurando outros idiomas, 72% da amostra diz estar estudando um ou mais idiomas. Empatados tecnicamente estão aqueles que têm nível médio 32% e aqueles que têm nível superior completo 29%. Trata-se de uma audiência qualificada já que cursam o nível superior outros 23% e técnico, 10%. Mais da metade dos entrevistados (51%) tem renda própria, sendo que para 79% destes o salário varia entre um e três mínimos. Admitem comprar CDs 36% das pessoas, já quando o assunto é baixar música na internet este número sobe para 93%. Esta realidade hiper conectada também se reflete no uso das mídias sociais (96%), no MSN (94%) e no e-mail (97%). Esta hegemonia continua quando o assunto é se informar, 138 pessoas citam a internet como fonte principal de mídia. Como a pergunta permitia a múltipla escolha vemos a Revista em segundo lugar com 90 citações e a TV na sequência com 85. O Orkut segue na liderança entre as redes sociais com 136 respostas, mas o Twitter aparece com 101 usuários entre os entrevistados (a resposta também permitia a múltipla escolha). A cena da música independente cuiabana tem o total apoio e desperta um sentimento otimista nos participantes da pesquisa tanto que a cena possui uma percepção de futuro mais otimista (77%) do que a própria cidade de Cuiabá (65%) que empata tecnicamente com a visão de futuro para o Brasil (66%). Reconhecer as pessoas envolvidas na cena, público e trabalhadores, facilita o processo de formação e capacitação da mão de obra. Entender os paradigmas contemporâneos exige pesquisa e ciência, talvez esta seja a nova moeda social a ser compartilhada pelo Cubo. O mercado cultural não é o da indústria apenas, mas também o da longa cauda como escreveu Chris Anderson editor da revista mais importante do mundo em tecnologia (Wired) e autor de um livro homônimo (Long Tail).

Edição EDIÇÃO 16965




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