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ILUSTRADO
Quarta-feira, 05 de Outubro de 2011, 20h:57

ESPETÁCULO

Musical do outro mundo

A ideia é surpreender o público durante uma hora e meia, a começar na entrega do ingresso, continuando no foyer, até o palco

Martha Baptista
Da Reportagem
Prepare-se para uma viagem que começa no tempo dos dinossauros e se perde no futuro. Que tipo de música era feita pelos homens das cavernas? O que cantarão os alienígenas? Tudo isso será abordado em “Desculpae – Um musical do outro mundo”, que será encenado no Teatro da UFMT, nesta sexta-feira e sábado, às 20h. A proposta, para lá de ousada, é da Escola Sol Maior e a comandante desta nave louca, Simone Pompeo de Campos Félix, está mais a mil do que nunca para realizar este espetáculo, que envolve aproximadamente 150 pessoas. “Digo para os alunos e convidados que participam do musical: quero que vocês só me devolvam o público no final do espetáculo. As pessoas na platéia não podem nem piscar”, diz a elétrica Simone, que tem passado as últimas noites costurando os figurinos ao lado dos amigos da Sol Maior. A ideia é surpreender o público durante uma hora e meia. Esse envolvimento já vai começar na hora em que as pessoas entregarem seus bilhetes e continua no foyer do teatro, onde haverá uma cena a cargo da turma do Coletivo Ninhal, dirigido por Adonys Aguiar. Dentro do teatro, personagens reais, como o compositor Wolfgang Amadeus Mozart do século XVIII e o brasileiro Tim Maia, falecido em 1998, ganharão vida, ao lado de ídolos do pop contemporâneo como Lady Gaga. O musical também trará à cena personagens fictícios como o vilão Darth Vader da série “Guerra nas estrelas” e a protagonista do filme de terror “O chamado”. A propósito, alguns desses personagens foram vistos ao longo desta semana em vários pontos movimentados da capital, onde a equipe da Sol Maior e amigos fizeram a panfletagem de “Desculpae”. NOVOS TALENTOS Na verdade, o musical era para ser um espetáculo de final de ano dos alunos e professores da Escola Sol Maior. Mas, como Simone adora uma superprodução e queria criar um musical onde coubessem tanto os aprendizes de música erudita quanto os da popular, o musical foi crescendo. “A criançada via as coisas acontecendo na escola e perguntava ‘o que é isso, tia?’ Eu respondia que era para nosso espetáculo de fim de ano e os meninos diziam ‘Desculpae’. Como não tínhamos um nome para nosso musical, adotamos esse jeito dos alunos falarem”, conta Simone. Ela reescreveu o roteiro várias vezes, com a ajuda de Tereza Helena, que trabalha na preparação cênica dos espetáculos da Sol Maior. Como a estreia acabou ficando para este ano (por vários motivos), algumas coisas tiveram que ser modificadas, em função, inclusive, do alto custo do espetáculo. Simone chegou a entrar com um projeto na Secretaria Municipal de Cultura em busca de apoio, mas não foi contemplada com recursos. Ela teve que cortar muito gastos e correr atrás de patrocínios privados e parceiros (como o coreógrafo Rafael Cerigato), mas mesmo assim o custo da produção é grande (cerca de R$ 100 mil) e algumas invenções - como o boneco representando um animal pré-histórico comprado da Escola de Samba Unidos da Tijuca - só se concretizaram graças a apoios de última hora, como o de uma mãe de aluno. “Ela viu eu contando para as crianças chorando que não íamos ter mais o dinossauro”, recorda Simone. Por conta dos custos, a dona da Sol Maior teve que cobrar pelos ingressos pela primeira vez, o que não a impede de fazer algumas cortesias: na estreia, alunos da uma escola pública de Santo Antônio do Leverger, que já acompanham o trabalho de Simone há bastante tempo, terão entrada franca, e no sábado será a vez de 55 deficientes auditivos (o espetáculo terá tradução simultânea em Libras). Quem for assistir a “Desculpae” verá muitos personagens, patinadores, capoeristas, pernas-de-pau, fisioculturistas e efeitos especiais num roteiro mirabolante, em que a Morte tem um papel fundamental. Simone alerta que o musical não tem rigor histórico, porém se baseou em muita pesquisa. “É uma grande viagem”, diz, da qual participam artistas convidados como os músicos do Triêro e o ator Eduardo Butakka do Pessoal do Ânima. A grande atração, entretanto, são alunos da Sol Maior – gente que vem demonstrando seu talento em outros espetáculos realizados em Cuiabá, como Ana Rafaela Oliveira, Laura Pompeo (filha de Simone) e Netinho Oliveira. Os caçulas dessa turma são Gustavo, de 6 anos, e Lorenzo, de 4. O segundo vai apresentar ao piano uma peça de Beethoven, numa cena passada no início do século XIX. Em outra cena do musical, a mãe de Mozart vai atrás dele e o encontra jogando capoeira com a turma da senzala. Mais viajado, impossível. Portanto, para curtir esse musical de outro mundo, o melhor mesmo é se entregar e compartilhar do entusiasmo do elenco. Se não funcionar, “desculpae”. SERVIÇO O QUE: Musical “Desculpae” ONDE: Teatro da UFMT QUANDO: sexta-feira e sábado, às 20h QUANTO: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) MAIS INFORMAÇÕES: Escola Sol Maior (3027-7719)

Edição EDIÇÃO 16962




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