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ILUSTRADO
Quinta-feira, 09 de Dezembro de 2010, 20h:16

ECAD

Música na web começa a render

Jotabê Medeiros
Agência Estado
Mais de dez anos após o início da exploração comercial da internet, os artistas da música começam a receber este mês os primeiros caraminguás de direito autoral. O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos (Ecad), maior do País, iniciou a distribuição de R$ 1,2 milhão recolhido a empresas que utilizam música na internet. Cerca de 8 mil músicos, compositores e intérpretes serão os primeiros beneficiados. Curioso que as primeiras listas que o Ecad liberou aos seus associados (mais de 400 mil) mostram um perfil de consumo bem diferente daquele das TVs, rádios e danceterias. É um consumo menos popular. O PIB da MPB (Chico, Caetano, Gil, Djavan, Jorge Ben, Rita Lee, Roberto) lidera entre os autores com maior rendimento. As músicas mais ouvidas também não são os hits da estação - canções como "Noites com Sol", de Flávio Venturini, e "Brincar de Viver", de Maria Bethânia, estão entre as mais ouvidas. Tom Jobim tem quatro canções entre as dez com maior rendimento na internet. O Ecad estima que esse tipo de arrecadação dobre em 2011, e assim progressivamente. Entre as empresas que fizeram acordo com o escritório estão o Google (que opera o YouTube) e a rádio online Kboing, entre outras. Há mais empresas negociando, como o Terra Sonora. Segundo o Mario Sergio Campos, Gerente Executivo de Distribuição do Ecad, esses sites representam apenas 3% do universo. Os sites que usam música comercialmente estão sendo instados a pagar 3,75% do seu faturamento a título de direitos dos autores. Muita gente pensa que o esforço arrecadatório do Ecad na internet tem a ver com a nova circunstância política. O governo levou ao Congresso uma proposta de revisão da legislação autoral, que vai obrigar entidades como o Ecad à fiscalização periódica e a obediência a certas regras. "Até calhou de ser num mesmo momento, mas o Ecad já estava se organizando para isso muito antes desse debate. O problema é que, antes, havia uma arrecadação muito pequena", disse Mario Sergio. O Ecad estima que vai arrecadar em direitos, este ano, cerca de R$ 400 milhões - o escritório existe há 33 anos.

Edição EDIÇÃO 16962




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