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Cuiabá MT, Sábado, 20 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Terça-feira, 25 de Outubro de 2011, 19h:20

CINEMATO

Muitos filmes em cartaz

Vídeos, curtas, médias e longas metragens de vários diretores têm exibição programada para hoje no Cine Teatro Cuiabá

Martha Baptista
Da Reportagem
Um dos objetivos do Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá (Cinemato), que chega este ano à maioridade, é formar plateias. Por isso, a programação paralela do evento, aberto no Cine Teatro Cuiabá na noite de segunda-feira, inclui o Cinema Escola, cujo público é formado por estudantes, que terão a oportunidade de assistir a um filme brasileiro muito especial hoje, a partir das 14h30: “5x Favela - Agora por nós mesmos”. Sob a direção de Wagner Novais, Rodrigo Felha, Cacau Amaral, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos, Luciana Bezerra e Manaíra Carneiro, a produção carioca é composta por cinco histórias independentes entre si, cômicas e trágicas, que refletem as múltiplas faces do cotidiano dos moradores das favelas e fogem dos estereótipos violentos que costumam se perpetuar na representação da vida nas comunidades. O filme é resultado de um projeto capitaneado por Cacá Diegues e Renata Almeida Magalhães, que reuniu curtas-metragens realizados por jovens cineastas originários de comunidades carentes do Rio de Janeiro. Exibido no Festival de Cannes no ano passado, fora da competição oficial, “5x Favela - Agora por nós mesmos” remete ao longa-metragem “Cinco vezes favela”, uma produção de 1962 e um marco do Cinema Novo. Diegues, então um jovem cineasta promissor, dirigiu um dos curtas (“Escola de Samba, Alegria de Viver”) do projeto original. VIDA CIGANA A produção mato-grossense ganha a tela através da Mostra Vídeos do Mato, a partir das 16h30. Serão exibidos “Boneca de Neusa”, de Luzo Reis e Thiago Costa, “É Kalom, Olhares Ciganos”, de Aluízio Azevedo e “Bra$ill Real”, de Nina Menezes Ricci. “Boneca de Neusa” conta a história de Neusa, um travesti à moda antiga, que vive um momento difícil: é velha, orgulhosa e romântica demais para aceitar a realidade que lhe interpela todos os dias. “É Kalom, Olhares Ciganos” retrata a saga dos ciganos, considerados um das nações mais exóticas do mundo, devido ao misterioso universo cultural. O vídeo mostra a vida e o cotidiano de um grupo Kalon, formado por cerca de 200 pessoas, que vivem e percorrem Mato Grosso há mais de 80 anos. O objetivo do diretor, um jornalista de origem cigana, foi mostrar como essas pessoas enxergam as passagens da vida em seus rituais, além de contos e mitos, mesclando-os com as interpretações e vivências do cotidiano atual. “Bra$ill Real” faz um recorte da trajetória de Dona Eulália, brasileira, que faz parte de uma geração que assistiu de camarote ao salto político, econômico e social brasileiro. Enquanto muitos apenas reclamavam da situação, ela abriu os olhos cedo e foi lutar por aquilo que temos de mais precioso: o direito de ser feliz. A condição social ruim e o cansaço jamais serviram como motivo para desistência. Ela persistiu, trabalhou duro, e hoje é dona de seu próprio destino! Além disso, tem uma renda mensal de surpreender e dar inveja em muita gente! DEBATE Segundo o idealizador do festival, Luiz Borges, outra preocupação do Cinemato é estimular a discussão sobre a produção audiovisual e amadurecer o conhecimento sobre a sétima arte. Para isso, o Cinemato apresenta o projeto Cinema em Pauta. Ao cair da tarde, todos os dias, às 18h, é o momento de pensar, discutir e refletir sobre os filmes apresentados na noite anterior. “Sempre incentivamos o diálogo entre o realizador e o público como forma de enriquecer o conhecimento sobre as linguagens cinematográficas, as temáticas abordadas, as influências culturais, entre outros”, destaca Borges, acrescentando que a ação também busca promover a troca de experiências entre os profissionais do audiovisual mato-grossense, os realizadores participantes do festival e estudantes de comunicação para a busca de novas alternativas de produção e processos criativos. Participam do debate os representantes dos filmes “Elogio da Graça”, “Pcycle”, “Acercadacana”, “A obscena senhora D” e “Hoje”. MOSTRA COMPETITIVA A Mostra Competitiva de Vídeo traz “Eu tenho a palavra”, de Lilian Solá Santiago, 25’. O documentário faz uma viagem linguística em busca das origens africanas da cultura brasileira. O antigo reino do Congo foi a origem da maioria dos africanos escravizados no Brasil, que, no cativeiro, criaram diversos dialetos para que pudessem se comunicar livremente, dentre os quais a “língua do negro da Costa” ainda é preservada na comunidade remanescente de quilombo de Tabatinga (Bom Despacho-MG). O idioma é composto por um português rural do Brasil-Colônia e línguas do grupo Banto, com predomínio do quimbundo e mbundo, faladas até hoje em Angola. Dois personagens – um falante da “língua do negro da Costa” e outro de quimbundo e mbundo – são os guias nessa viagem transoceânica de reconhecimento. CURTAS Na Mostra de Curtas Metragens, duas produções: “Taba” e “Ivan”. Taba, documentário, 16’, é coletivo de oca. Na narrativa do diretor Marcos Pimentel, os novos guerreiros urbanos improvisam diariamente por ruas e ruínas. Representantes de diferentes tribos experimentam suas guerras cotidianas pela sobrevivência habitando um território desigual e em contínuo desequilíbrio. Um documentário que desnuda os contrastes e contradições que a vida na cidade nos reserva. Já o segundo curta da noite, “Ivan”, de Fernando Rick, é uma ficção sobre o personagem Ivan: um ator de teatro decadente que precisa entregar panfletos vestido de personagem de desenho animado para pagar suas contas. Vive em um cortiço imundo com seus únicos amigos, um travesti chamado Darlene Starr e Jone Jackson, um rapaz que ganha a vida como cover de Michael Jackson. Seu cotidiano é rodeado por pobreza e miséria, mas um dia Ivan tem uma iluminação que mudará a sua vida e a das pessoas à sua volta. AMOR, FUTEBOL E PAZ A Mostra Competitiva de Média Metragem exibe “Musa Impassível”, de Marcela Lordy. O filme conta a história de Adrine, neta de armênios, e Edivaldo, filho de pernambucanos. Ela tem TOC e aspira à imobilidade. É casada com Adilson, um homem embrutecido que não suporta ser tocado pela mulher. Edivadlo tem ausências que o paralisam completamente e quer casar-se com Gladis, improvável aspirante ao mundo fashion. Adrine deseja não ser notada. Edivaldo precisa “ser alguém” para reconquistar sua noiva. Numa manhã, as vidas de Edivaldo e Adrine se cruzam na região da Luz por causa de uma laranja quase madura. Pronto, temos uma nova história de amor. O longa desta noite é “Copa Vidigal”, documentário de Luciano Vidigal. Trata-se de um campeonato de futebol de favelas organizado pelo professor de futebol Cypa, no morro carioca do Vidigal, com o objetivo de resgatar a paz através do esporte, numa área que estava traumatizada com uma recente guerra entre traficantes. O Cinemato é uma realização do Instituto Cultural América (Inca) e da Secretaria de Estado de Cultura de Mato Grosso. (com assessoria) SERVIÇO O QUE: 18º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá - Cinemato QUANDO: até domingo (dia 30) ONDE: Cine Teatro Cuiabá MAIS INFORMAÇÕES: www.cinemaevideocuiaba.org

Edição EDIÇÃO 16967




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