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Quarta-feira, 13 de Junho de 2012, 21h:45

MÚSICA

Movimentos noturnos

Acontece hoje, no Centro Histórico, o lançamento dos projetos I Circuito Popular de Música e Rua do Rasqueado

Ariane Laura
Da Reportagem
As noites cuiabanas não serão mais as mesmas a partir de hoje. A Praça Caetano Albuquerque, localizada no Centro Histórico de Cuiabá, será palco do lançamento de dois projetos: “I Circuito Popular de Música” e “Rua do Rasqueado”. “Cuiabá está muito quieta,muito triste somente com essas construções da Copa. As praças estão paradas. E Cuiabá precisa da alegria que esses eventos de rua proporcionam”, afirma Guapo, músico, pesquisador e idealizador dos projetos. A Rua do Rasqueado chega a sua terceira edição. A proposta é enfatizar o rasqueado, que é nossa cultura de raiz, fomentar o turismo mostrando que temos uma cultura forte e consolidada e proporcionar o entretenimento do público que passa pelo calçadão e de toda a sociedade cuiabana. “É um evento para crianças, jovens, adultos e até os mais idosos. Nas edições anteriores nunca teve problemas de brigas ou confusões porque o público é mais família, amigos”, diz o idealizador. A programação musical do projeto vai apresentar desde as composições mais antigas, percorrendo a formação do rasqueado na década de 1920 até atualmente. “A programação contempla a historicidade, porém sem seguir a ordem cronológica. É importante registrar esse histórico para se conhecer e valorizar a nossa cultura”, afirma Guapo. A festa será comandada por Guapo e sua banda formada pelos músicos Phellype Sabbo (sax e flauta), Marcos Levi (trompete), Samuel Smith (baixo), Adilson (bateria), Bene Cintra (percussão) e Paulo Lopes (guitarra). Além desses nomes, toda apresentação contará com artistas convidados. Para esta noite do lançamento os convidados são Roberto Lucialdo e banda e Gilmar Fonseca e banda. Além disso, a programação de hoje contará com o lançamento da cantora Sofia, uma menina de 20 anos que vem para somar no rasqueado cuiabano. A primeira edição do projeto aconteceu nos anos 1993 e 1994, no antigo bar Hora Extra, mais conhecido como bar do tenente, na Cândido Mariano, esquina com a Rua Ricardo Franco. Na primeira etapa, o projeto atraiu um número entre 800 a 1000 pessoas. A segunda entre 2004 e 2005 (de abril a dezembro) já na Praça Caetano Albuquerque. Nesta edição atraiu um público entre 1500 e 2000 pessoas em cada apresentação. Mas, qual o motivo do longo intervalo de tempo entre uma e outra edição do projeto? Guapo responde prontamente: “Falta de interesse e de apoio por parte do poder público. Cuiabá tem um problema muito sério, as coisas aqui não têm continuidade, tudo para no meio do caminho. A Literamécia, por exemplo”. Além de estimular o fortalecimento da cultura local, o evento também contribui para a geração de empregos. Na última edição, cerca de 50 empregos diretos (entre técnicos de som, músicos e outros), além dos indiretos foram gerados. Somente em dois meses a Rua do Rasqueado atraiu um público superior a cinco mil pessoas. Os músicos participantes do projetoreceberam um cachê de 20 mil reais. Já o “Circuito Popular de Música” está em sua primeira edição e é realizado em parceria com o Governo Federal, o Governo do Estado de Mato Grosso e a Associação Matogrossense do Rasqueado Cuiabano. A proposta é levar além do rasqueado, o samba, a bossa nova e músicas populares clássicas do mundo para o público. Aqui o repertório das apresentações fica por conta de Guapo e sua banda e também conta com convidados a cada evento. A ideia, de acordo com ele, é levar esse projeto para os bairros de Cuiabá. “Mas, para que isso seja possível é preciso acertar as datas com os presidentes de bairro. Estamos vendo de levar as apresentações para três bairros da Capital. Assim que tivermos datas confirmadas iremos divulgar”, finaliza o pesquisador. HISTÓRICO Descendente da velha estirpe mato-grossense, desde 1725, quando Antonio de Pinho Azevedo, sertanista de Arouca - Lamego - Portugal chegou a Cuiabá e casou com a cuiabana Dorotéia dos Prazeres. Nascido em 1951 em Cáceres (MT), Milton Pereira de Pinho Guapo é filho de pai violeiro, tio cantor que se expressava em várias línguas (português, Espanhol e Guarani), sua avó paterna Yolanda Widal de Pinho era pianista, seu avô materno Zacarias Pereira de Lima era cururueiro (violeiro folclórico). Teve uma educação musical bem colocada pelo pai professor, matemático e físico, que considerava importante educar os ouvidos com todo tipo de musica, para distinguir a qualidade. A sua vivência no Pantanal com a riqueza sonora, sons de pássaros e animais influenciaram-no decisivamente, bem como a vivência nomeio popular, bailes, festas de santo e outros festejos populares. De sua mãe,Maria de Lima Pinho lavadeira ribeirinha, herdou e aprimorou o gosto popular pelas lendas e mitos ribeirinhos. A mistura da influência paterna e materna suscitou-lhe o vivo interesse pela ciência e pela sensibilidade do conhecimento empírico popular, que lhe suscitou o jeito autodidata de músico e pesquisador. Com dezoito anos, começou a tocar violão e nunca mais largou. Depois viveu em Goiânia e no Rio de Janeiro onde pesquisou o samba no Morro do Estácio. Em 1976, mudou para São Paulo e tornou-se funcionário da extinta FEPASA - Ferrovia Paulista S/A. Conheceu a música sertaneja de raízes e nas férias de trabalho pesquisou a música latino-americana, buscando as raízes dos rasqueados mato-grossense viajando pelos países Paraguai, Argentina e Bolívia. Em 1985, já em Cuiabá, uniu seus conhecimentos com os músicos Vera Bagetti, Zuleica Arruda e Marques Caraí, nascendo daí a ideologia musical, Vanguarda Nativista. Depois de representar Mato Grosso em varias partes do país e fora, em 1994 suas musicas Canto Guacho e Velho Chamamé foram trilhas musicais do seriado A Lenda das extinta TV – Manchete dirigida pelo diretor Marcos Schechtman (hoje diretor na Rede Globo) Em 1996 grava seu primeiro CD – Pantanal Branco e Preto, em 2000 grava o segundo chamado Resto de Guarânia. Foi compositor de várias trilhas musicais para cinema como: Animando o Pantanal pelo Núcleo de Cinema de Campinas-SP e que foi premiado na China no Festival Anima Mundi em 1990. Também fez trilha para os filmes Rondon o Último dos Bandeirantes, Baile Pantaneiro, Divisão de Mato Grosso, O poeta Silva Freire Etc.É autor do livro Remedeia co que Tem, um mapeamento histórico musical da música mato-grossense. Idealizou e coordenou o projeto Rua do Rasqueado que resgatou a dança popular mato-grossense. Foi o primeiro músico mato-grossense a representar o Estado no evento “Mato Grosso States Cultural” realizado em novembro de 2005 em Washington-DC com o show-recital: Searching ForThe Lost River , fechando a quinzena cultural de Mato grosso nos Estados Unidos.

Edição EDIÇÃO 16967




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