Em algum momento a criança deixa de ser infantil para pensar grande. Esquece as baboseiras do natural jogo de língua e assume o desafio de articular bem as palavras. Começa a pontuar as frases de um modo diferente. A idade adulta se encarrega de corrigir os passos trôpegos. Os sorrisos infantis recheados de trejeitos moleque assumem a identidade de gente séria. Lentamente morre a doce criança repleta de sonhos e aventura. Sai de cena bem de mansinho, impossível até mesmo de se perceber. Da algazarra juvenil resta somente a saudade. Momentos inesquecíveis pendurados em boas doses de memória viva. Grandes paixões engavetadas, ilustram os detalhes deslumbrantes. Alguns ajudam aos olhos perderem o brilho e trazem um semblante de preocupação. Empurram o pensamento para o atoleiro sentimental por alguns momentos. Porém, servem apenas como lembrete de que há um passado de folia vivido ao sabor da liberdade de ser feliz e extravagante como a brisa solta no ar. Soluços de esperança existem. Sempre há um apelo mudo dessa tal felicidade. Detalhes acontecem todos os dias e a todo momento. Poucos são observadas. A criança inocente balança febril em pensamentos inusitados prestes a aflorar em diversos momentos. Mas, os impulsos são contidos pela lei da razão. Quem perde é o sentido mais nobre do indivíduo humano: o direito de viver sem medo de ser feliz. A visão humana está sempre estendida para além do horizonte. Para algo invisível e distante. Incapaz de perceber as próprias inquietações. As maiores transformações acontecem de dentro para fora. São únicas e verdadeiras. Mudanças que realmente fazem sentido no processo de engrandecimento pessoal. Poucos, conseguem sequer olhar por onde pisam. Sentir o solo que os mantém. Os olhos são sempre voltados para aquele ponto que mais chama a atenção. Um ponto luminoso distante. A realidade acontece silenciosamente. É preciso acuidade para perceber. Sabedoria para compreender que o pouco é apenas um detalhe do grande. Bons vencedores são ótimos colecionadores de boas memórias e dinâmicos empreendedores de visão. Quanto maior o mundo, maior espaços para os detalhes. As soluções para grandes problemas dormem ao lado de um rol de displicentes sorrisos. Procure soluções caseiras. Olhe ao redor e veja se não está deixando escapar nada. As soluções próximas são mais seguras e confiáveis. São integradas a realidade e de fácil absorção. Para ser universal, apresente o melhor do seu lugar, do seu natural, o melhor de você. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado
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