NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Domingo, 14 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 15 de Março de 2014, 13h:39

RESENHA

Maçonaria de Alto Araguaia homenagea as Mulheres

As nossas mulheres sempre foram maltratadas. Esposas e filhas eram na verdade escravas do chefe de família, que as tratava como parte de sua propriedade

Antônio Padilha Carvalho*
Especial para o Diário de Cuiabá
No sábado passado, 08.03.2014, Dia Internacional da Mulher, no plenário da Câmara Municipal de Alto Araguaia-Mt, município localizado a 418 km da capital, sudeste Mato-grossense, a respeitável Loja Maçônica “União do Araguaia”, através de seus Obreiros e Esposas, prestaram uma magnífica homenagem às Mulheres de todo mundo. O Coral da Terceira e Melhor idade do município, “Vozes da Experiência”, deu um verdadeiro show de alegria, entusiasmo e principalmente de harmonia, tanto na abertura como também no encerramento do evento festivo. Convidado para proferir uma palestra com a temática: “O Papel da Mulher na Sociedade de Ontem, hoje e Amanhã”, o Professor e Conferencista Antônio Padilha Carvalho, abordou de maneira sistemática e histórica a participação das mulheres no amadurecimento da humanidade. O palestrante lembrou o porquê desse dia ser referencial para as mulheres de todo planeta, relatando o fato histórico que marcou indelevelmente essa data, quando em 08 de março de 1857, cento e trinta operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. Aconteceu porém, que a referida manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Todas aquelas trabalhadoras acabaram morrendo carbonizadas, num ato totalmente desumano. Somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas) como o Dia Internacional da Mulher. Frisou o palestrante que a criação do Dia Internacional da Mulher, não é apenas para comemorar, mas para uma tomada de consciência, vez que em todos os países do mundo, estão sendo realizadas conferências, debates e reuniões cujo objetivo é discutir o papel da mulher na sociedade atual, buscando dessa forma diminuir e, quem sabe um dia terminar, com o preconceito e a desvalorização da mulher. Todos somos sabedores que mesmo com todos os avanços, elas ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho e desvantagens na carreira profissional. Muito já foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história. Professor Padilha durante a sua fala, assegurou que a sociologia através dos seus estudos dão conta de que a supremacia conquistada pelos homens em relação às mulheres deveu-se ao uso da violência, da brutalidade, da imposição, do desrespeito, do abuso da força. A proposta sempre foi aquela de sujeição da mulher aos caprichos masculinos, basta folhearmos a nossa triste e vergonhosa história para depararmos com os mais aterrorizantes quadros. Relembremos alguns: Na Grécia, Sólon decretou que qualquer ato realizado sob a influência de uma mulher não seria considerado válido perante a justiça. Seguindo esse mesmo pensar o também Grego Eurípedes, considerava as mulheres “vítimas de inferioridade mental.” Na antiga Rússia, quando do casamento das filhas, o pai aplicava-lhes, algumas chicotadas, e depois entregava o chicote ao marido, numa transmissão de poder. No Oriente, há pouco tempo atrás, as mulheres não tinham o direito de continuar vivendo após a morte do marido, devendo suicidar-se ou ser morta para acompanhá-lo na sepultura. As nossas mulheres sempre foram maltratadas. A esposas e filhas eram na verdade escravas do chefe de família, que as tratava como parte de sua propriedade. Os Judeus as comerciavam, trocavam por mercadorias. Nas sociedades mais antigas, e por incrível que pareça, na atualidade, as regras continuam a promover a sujeição da mulher. Quantas mães para evitar sofrimentos de suas filhas recém nascidas, acabaram por destruí-las ao nascer? Somente os filhos homens eram bem vindos. Ainda hoje não convivemos com esse sentimento absurdo? Quantos por aí afirmam em alto e bom som: “...para ser macho o homem tem que fazer macho!”, quando na verdade sabemos que cientificamente, apenas os genes femininos podem decidir o sexo da criança. Se adentrarmos na seara religiosa aí sim que vamos deparar com verdadeiras barbaridades. Os homens dominam as religiões. O Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos por exemplo, toma as mulheres como criaturas imperfeitas, podendo o homem espancá-la quando necessário. Nas igrejas Cristãs o sacerdócio é privativo do sexo masculino. Na Bíblia Sagrada a mulher é posta como agente das trevas, coisa do demônio, vez que é a causa da perdição da Humanidade. Mais adiante, já no Novo Testamento, a mulher é flagrada em adultério, todavia, não aparece o adúltero, apenas a adúltera. Como pode Maria de Magdala ser considerada adúltera, se ela era solteira? Sempre existiram e ainda persistem restrições às atividades das mulheres. Mesmo honradas no lar, negavam e negam-lhes as oportunidades fora das paredes de casa. Esse tipo de organização social caracterizado pela autoridade doméstica do pai e pelo comando político masculino, com conseqüente exclusão das mulheres, já demonstrou-se falho, ultrapassado e altamente injusto, trazendo inúmeras patologias sociais que requerem alterações profundas nos padrões da nossa cultura humana. Citando a pedagoga Jussara de Barros, Professor Padilha afirmou: “Todos sabemos que o preconceito é um marco presente na vida da humanidade e a mulher não ficou de fora, em razão dele sofreu grandes perdas. Ao longo da história, as mulheres estiveram sempre subjugadas às vontades dos homens, a trabalhar como serviçais, sem receber nada pelo seu trabalho ou então ganhavam um salário injusto, que não dava para sustentar sua família. Em razão desses e tantos outros modos de discriminação, as mulheres se uniram para buscar maior respeito aos seus direitos, ao seu trabalho e à sua vida.” O palestrante que também é Venerável Mestre da Loja Universitária “Leônidas Pereira Mendes”, de Cuiabá-Mt, frisou durante sua exposição que a Maçonaria é na verdade uma escola do aprimoramento intelectual, moral e espiritual do indivíduo, para combater os vícios e preconceitos, as superstições e ignorância, o fanatismo, o egoísmo, as ambições, o despotismo. Que a Maçonaria luta em prol da felicidade do ser humano, pela ereção do Templo da Virtude, para honra e glória do Grande Arquiteto do Universo, que é DEUS. A mulher tem marcado as últimas décadas mostrando que competência no trabalho também é um grande marco feminino. O avanço feminino frente à política e à economia ainda mostra a força da mulher em perceber e apontar os problemas tendo sempre boas formas de resolvê-los assim como os indivíduos do sexo masculino, o que evidencia o erro de descriminar e diminuir o sexo feminino privando-o de tantas outras tarefas. Fomos ensinados a ser duros, viris, machos. Não nos prepararam para o choro e a insegurança como fatores de crescimento e humanização. Convenceram-nos que tais sintomas caracterizavam a fraqueza, num mundo em que ser fraco não constitui qualidade, mas defeito. Citou trecho de um texto da cearense Heloneida Studart: (...) Acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis, sem o poder fálico, tão bem representado por pistolas, revólveres, punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é espada. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade. As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, dos exércitos regulares ou das gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos. É preciso voltar os olhos para a população feminina como grande articuladora da paz. No final de sua explanação, o conferente deixou em aberto a fala às indagações dos participantes, quando então várias perguntas e dúvidas foram colocadas. Uma acadêmica de jornalismo presente indagou do palestrante sobre o feminismo e como ele via a marcha das vadias em todo Brasil. O Professor Padilha esclareceu que devemos tomar muito cuidado em tachar qualquer ato ou fato somente pelo visual e estereótipos das manifestações, mas que devemos sim buscar saber o que existe por trás desse movimento, então haveremos de conhecer que a “Marcha das Vadias”, lutam, questionam e exigem respeito ao ser humano. Lembrou as palavras do Prof. Jamil Cabral Sierra: “Por todas as vidas abjetas, sujas, disformes, oprimidas, violentadas, humilhadas, não-assimiladas, estranhas, esquisitas, desfamiliarizadas, corrompidas… As mulheres marcham. Por todas as vidas que deixam de reconhecer-se nessa ou naquela identidade, nessa ou naquela qualidade, nessa ou naquela letra, nessa ou naquela forma, nesse ou naquele desejo, nesse ou naquele esquadrinhamento… As sapatonas marcham. Por todas as vidas que inventam-se nas formas e nos modos contra-sexuais, que questionam o lugar do sexo como oráculo da verdade, que desconfiam de todas as formas de desejo, que deturpam a normalidade e a explodem em purpurina cor-de-rosa, que dissolvem feito ácido o heterocapitalismo, o sexismo, o machismo e o racismo… As negras marcham. Por todas as vidas que desconfiam, perpetuamente, de nossos corpos, de nossas identidades, do reconhecimento de gênero estabelecido pela heteronormatividade, que pulverizam as características hegemonicamente estabelecidas do que é ser homem ou mulher, cis ou trans*, feminino ou masculino, que liquidifica os lugares nos quais aprendemos a nos encaixotar, enquadrar, limitar, configurar e render… As trans* marcham. Por todas as vidas que desterritorializam suas genitálias, que as deslocam, que as hibridizam, que as redimensionam na interação com todas as próteses, acoplamentos, acessórios, que as sintetizam na matéria inorgânica, que as reinventam na resina e nos compostos manipuláveis, que as criam nos lugares improváveis, que as transformam num local de prazer e de luta, de tesão e subversão, de gozo e contestação… As bichas marcham. Por todas as vidas que subvertem as relações tradicionais de parentesco, que inventam formas imprevistas de convivência íntima, que produzem afetos e amores dissociados dos contratos heteronormativos e de inclusão de nosso tempo… As amantes marcham. Por todas as vidas que maculam os regimes políticos de inclusão neoliberais, que deslocam com vigor as práticas de governamento que insistem em nos conduzir, que esgarçam a vontade de pertencimento e ferem sem dó os apelos normalizadores que que nos seduzem, nos objetivam, nos excluem, nos matam… Todas as vadias marcham! *Antônio Padilha Carvalho é professor,advogado,Geógrafo, Palestrante e Presidente do IMPDrog - Instituto Mato-grossense de Prevenção às Drogas e colaborador do DC.

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL