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ILUSTRADO
Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009, 21h:37

DICIONÁRIO

Luiz Paulo Vasconcellos relança sua obra pioneira

Beth Néspoli
Agência Estado
Por um desses felizes acasos, o lançamento da reedição do "Dicionário do Teatro Brasileiro" coincide com a chegada às livrarias da sexta edição do "Dicionário de Teatro", do ator e diretor Luiz Paulo Vasconcellos, lançada pela LP&M. Carioca radicado em Porto Alegre, Vasconcellos é o que se pode chamar um homem de teatro, de intensa atuação na cena gaúcha. Os dois dicionários têm em comum o mérito da ousadia, pois são publicações de interesse mercadológico restrito. Se há semelhanças, há também diferenças. O pioneiro Vasconcellos lançou seu livro em 1987 movido por objetivo pedagógico definido: facilitar a vida do estudante de teatro. "Qualquer coisa como ‘se tivesse algo parecido no meu tempo’ tudo teria sido mais fácil", escreveu no prefácio à primeira edição. Em formato Pocket, o livro tem definições bastante sintéticas e o autor mostra não temer o glossário de termos técnicos. Há desde verbetes sobre métodos de interpretação, passando pelo jargão da cena, escolas artísticas e equipamentos. O leitor vai encontrar chiton, "antigo traje grego usado no teatro"; luz de serviço, "iluminação usada, por razão de economia, durante os ensaios"; e ainda o jargão das posições no palco italiano como direita alta e baixa. São exemplos estão entre centenas de termos relativos a procedimentos de palco, sejam eles de época ou contemporâneos. Uma busca rápida e o pesquisador também vai se deparar com verbetes conceituais como ‘teatro pós-dramático’, cuja definição começa por afirmar tratar-se de "termo criado pelo crítico Hans-Thies Lehmann no livro "O Teatro Pós-Dramático", publicado na Alemanha em 1999." Pelo fato de haver tal citação, sente-se falta da informação de que a tradução brasileira foi lançada em 2007, pela Cosac Naify. Bem, mas esse é o problema de uma obra de tal ambição - cada leitor pode apontar pelo menos uma ausência e atender a todos tornaria a tarefa infinita. O pós-dramático é um dos mais de cem verbetes incluídos nessa reedição revisada. Vasconcellos opta por se manter fiel ao objetivo de origem, "tornar digeríveis para o leitor comum termos e conceitos complexos", intuito reforçado em seu novo prefácio. Bem-humorado, ele fala da aridez da tarefa de atualização em tempos de "transculturas, pluridisciplinaridades, paradigmas e semiologias diversas". Confessa, no entanto, ter terminado por se encantar com algumas dessas teorias que, segundo ele, emergem a cada novo doutorado concluído. "Exageros e brincadeiras à parte, assumo que o primeiro a se beneficiar desta sexta edição do Dicionário de Teatro fui eu mesmo." Vasconcellos envia para o "Grupo Estado" a relação de todos os novos verbetes. Entre eles, há alguns que dificilmente poderiam ter entrado na primeira edição de 1987, como máquina de fumaça e máquina de gelo seco. Outros, revelam um cuidado de atualização de termos que escaparam ao tratar do teatro do século 19, como dama galã, a sedutora da antiga comédia de costumes. "Foram incluídos verbetes referentes ao teatro japonês, a equipamentos de luz e de som, ao teatro de bonecos e à nomenclatura do melodrama", afirma.

Edição EDIÇÃO 16962




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