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ILUSTRADO
Sábado, 05 de Novembro de 2011, 12h:46

POESIA

Leminski, poeta criativo e transgressivo

Nascido em Curitiba e filho de pai polonês e mãe brasileira, a mistura estava no sangue do rapaz que brincou com as palavras em seus diversos versos côncavos e convexos

Vinícius Masutti
Especial para o Diário de Cuiabá
A poesia ficou mais divertida quando Paulo Leminski resolveu redigi-la. A mente criativa e transgressiva deste poeta causou uma revolução poética neste país, que com tantos bons escribas, deparou-se de repente com Leminski na ponta do nariz. Filho de pai polonês e mãe brasileira, a mistura estava no sangue do rapaz que brincou com as palavras em seus diversos versos côncavos e convexos. Nascido em Curitiba, Paraná, Paulo muda-se sozinho para o estado vizinho (São Paulo) aos quatorze anos para estudar no Mosteiro de São Bento. A experiência não dura muito e, um ano após seu ingresso, é expulso por indisciplina e então é selado seu regresso à cidade natal. Experimental, aliás, é sua arte complexa. Leminski faz poesia nova e viva. Em meados dos anos sessenta, participa do I Congresso Brasileiro de Poesia de Vanguarda em Belo Horizonte e lá conhece o concretismo e também tem a chance de estar com grandes poetas nossos, como o concreto Haroldo de Campos, que de imediato se identifica com Leminski e daí nasce uma parceria preciosa da nossa poesia. 1964 marca a publicação marcante de seus primeiros poemas. A revista “Invenção”, da capital paulista, que era (como muitos a chamavam) a porta voz da poesia concreta imprime em suas páginas cinco poemas de Paulo Leminski que inevitavelmente é apreciado pelos leitores. Casou-se aos dezessete e separou-se aos vinte e quatro, para então casar-se novamente, desta vez com a poeta Alice Ruiz. Outra bela parceria que resultou em poemas, rimas e filhos e filhas. Exatamente três. A união entre poetas só pode produzir poesia. (Estrela Ruiz Leminski lançou recentemente seu primeiro livro de poesias). Encantado com a potência que a arte poética tem para construir em poucas (e boas) palavras todo um pensamento, o poeta desanda á escrever sua escrita. Sua primeira obra publicada chama-se “Catatau”, um romance experimental de 1975. O experimentalismo em Leminski é intrínseco. Teve poemas musicados e gravados por gente como Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Arnaldo Antunes e outros tantos entusiastas da boa poesia. Em Curitiba, Leminski deu aulas de história e redação em cursinhos de pré-vestibular além das suas famosas aulas de Judô, e uma aula de Paulo Leminski não era (como podemos imaginar) comum. Foi redator publicitário por muito tempo, mas sua cabeça tinha muito mais que peças publicitárias. Era um revolucionário e traduziu para o português autores como James Joyce, John Lenom e Samuel Becktett, além do lendário Matsuo Bashô, poeta japonês do século XVII que foi o mestre do famoso HaiKai que é uma forma poética sucinta que se desenvolve em apenas três linhas, o que faz com que a poesia seja ainda mais direta e objetiva. Leminski era especialista em desenvolver sua filosofia com muitas rimas em poucas linhas. O poeta escreveu uma vez: “Pelos caminhos que ando/um dia vai ser/só não sei quando.” E foram muitos os caminhos por onde andou, e muitos os escritos que publicou, pois “Não fosse isso e era menos, não fosse tanto e era quase”. Leminski e seus Caprichos e Relaxos morreu em 1989 na cidade onde nasceu, mas desde que ouviu seu nome, a poesia jamais o esqueceu. Paulo Leminski é grande demais para caber numa folha de jornal, mas sua obra é de uma importância tão assaz, que é imprescindível publicá-lo uma vez mais.

Edição EDIÇÃO 16967




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