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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 24 de Março de 2012, 14h:23

CRÔNICA

Leitura Avulsa

Luís Gonçalves*
Especial para o Diário de Cuiabá
Decidi armazenar os melhores escritos que de alguma maneira me surpreende e que realmente aprecio. Seja pela composição ou qualidade da informação. Contando com a ajuda da tecnologia ficou bem mais fácil. A surpresa foi descobrir que tenho uma paixão estranha por palavras e termos utilizados em diversas áreas e que rasgaram fronteiras e sobreviveram à base de reedição fajutas em sítios diferentes. Outros nunca saíram de linha. Alguns fogem e logo reaparecem com mais ênfase. Observei, também, que alguns mudaram completamente suas origens. Adquiriram mais informações e migraram atingindo outros setores e assumindo postura diferenciada com nova roupagem. Foi o caso da famosa “turbulência” que sempre andou acima das nuvens em companhia dos belos aviões, pilotos e passageiros. Começou a carreira de sucesso cedo a partir das histórias em quadrinhos. Depois com o surgimento dos jatos supersônicos praticamente desapareceu. Não sei se por saudade ou pura pirraça a tal “turbulência” veio infernizar a vida do mercado financeiro. Todo economista que se preza na mais elegante citação refere a tal “turbulência” como o fim do pé de Aquiles, na economia. Aliás, a economia foi a que mais agregou adeptos. Demonstra nitidamente a pobreza do mercado financeiro. Para melhorar o diálogo alguns apelaram e colocaram os números para “surfar” na economia. Não satisfeitos disseram que a alta de preços era uma “inflação”. Até o momento não sei quem infla quem. Em todo lugar há os engraçadinhos que optaram pela “gestação” sistemática. Engravidaram a economia com a cumplicidade da “matemática programada”. Apesar de o atual momento demonstrar ser razoável, vira e mexe, há alguém falando sobre o tal “parto prematuro”. Tanto que recentemente vi um economista da mídialivre dizer que a solução seria arrancar tudo a “fórceps”. Muitos economistas “viraram a casaca” depois que o agrobusiness começou a pagar os “jabás” para dar “volume” às commodities. Com a “debandada” para o campo vieram os “sacos sem fundos” e o antigo modelo de “guardar dinheiro no colchão”. Essas variações não comprometeram em nada. Embora algumas expressões fossem pejorativas. A Comunicação seguiu “parindo” novos conceitos. Alguns até jocosos. A Imprensa vive “lambendo a cria” dos outros. As redes de relacionamento sofisticaram. Além de “roubartilhar”, os “internautas” garantiram “favoritar” aqueles mais relevantes. Os Advogados conseguiram “peneirar” a “marginalização do processo” enquanto os Sindicalistas faziam “piquetes” com a “farra do boi” e os Contadores dançavam “ciranda financeira”. A política, não é retaliação, foi a que menos agregou valor. Por incrível que possa assim parecer, os termos mais contundentes que surgiram são extremamente excludentes não merecendo sequer vir a lume. Deixando sempre a nítida sensação que as “conversas paralelas” ficaram cada vez mais “perigosas” e não saíram das “mesas de negociações”. Isso é fato! As poucas “ideias contaminadas” que “contemplaram” a lucidez foram “oxigenadas” a partir dos “mensalões”, “caixa dois” e as “palhaçadas” do “picadeiro” político. Senti um cheiro de naftalina. Desculpe aí! É, também, fiquei surpreso. Num ambiente destinado ao diálogo sendo local adequado a movimentação linguística e aglutinação das diversas correntes ideológica era de se esperar um pouco mais de criatividade e movimentação técnica. No entanto, o vazio assumiu uma pobreza gritante em determinado momento ferindo a grafia oficial. Talvez as “pérolas” estejam sendo armazenadas para uma melhor ocasião quando houver “céu de brigadeiro” ou quando os dissidentes de Fidel botar todos no “El paredón”. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16966




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