Decidi armazenar os melhores escritos que de alguma maneira me surpreende e que realmente aprecio. Seja pela composição ou qualidade da informação. Contando com a ajuda da tecnologia ficou bem mais fácil. A surpresa foi descobrir que tenho uma paixão estranha por palavras e termos utilizados em diversas áreas e que rasgaram fronteiras e sobreviveram à base de reedição fajutas em sítios diferentes. Outros nunca saíram de linha. Alguns fogem e logo reaparecem com mais ênfase. Observei, também, que alguns mudaram completamente suas origens. Adquiriram mais informações e migraram atingindo outros setores e assumindo postura diferenciada com nova roupagem. Foi o caso da famosa turbulência que sempre andou acima das nuvens em companhia dos belos aviões, pilotos e passageiros. Começou a carreira de sucesso cedo a partir das histórias em quadrinhos. Depois com o surgimento dos jatos supersônicos praticamente desapareceu. Não sei se por saudade ou pura pirraça a tal turbulência veio infernizar a vida do mercado financeiro. Todo economista que se preza na mais elegante citação refere a tal turbulência como o fim do pé de Aquiles, na economia. Aliás, a economia foi a que mais agregou adeptos. Demonstra nitidamente a pobreza do mercado financeiro. Para melhorar o diálogo alguns apelaram e colocaram os números para surfar na economia. Não satisfeitos disseram que a alta de preços era uma inflação. Até o momento não sei quem infla quem. Em todo lugar há os engraçadinhos que optaram pela gestação sistemática. Engravidaram a economia com a cumplicidade da matemática programada. Apesar de o atual momento demonstrar ser razoável, vira e mexe, há alguém falando sobre o tal parto prematuro. Tanto que recentemente vi um economista da mídialivre dizer que a solução seria arrancar tudo a fórceps. Muitos economistas viraram a casaca depois que o agrobusiness começou a pagar os jabás para dar volume às commodities. Com a debandada para o campo vieram os sacos sem fundos e o antigo modelo de guardar dinheiro no colchão. Essas variações não comprometeram em nada. Embora algumas expressões fossem pejorativas. A Comunicação seguiu parindo novos conceitos. Alguns até jocosos. A Imprensa vive lambendo a cria dos outros. As redes de relacionamento sofisticaram. Além de roubartilhar, os internautas garantiram favoritar aqueles mais relevantes. Os Advogados conseguiram peneirar a marginalização do processo enquanto os Sindicalistas faziam piquetes com a farra do boi e os Contadores dançavam ciranda financeira. A política, não é retaliação, foi a que menos agregou valor. Por incrível que possa assim parecer, os termos mais contundentes que surgiram são extremamente excludentes não merecendo sequer vir a lume. Deixando sempre a nítida sensação que as conversas paralelas ficaram cada vez mais perigosas e não saíram das mesas de negociações. Isso é fato! As poucas ideias contaminadas que contemplaram a lucidez foram oxigenadas a partir dos mensalões, caixa dois e as palhaçadas do picadeiro político. Senti um cheiro de naftalina. Desculpe aí! É, também, fiquei surpreso. Num ambiente destinado ao diálogo sendo local adequado a movimentação linguística e aglutinação das diversas correntes ideológica era de se esperar um pouco mais de criatividade e movimentação técnica. No entanto, o vazio assumiu uma pobreza gritante em determinado momento ferindo a grafia oficial. Talvez as pérolas estejam sendo armazenadas para uma melhor ocasião quando houver céu de brigadeiro ou quando os dissidentes de Fidel botar todos no El paredón. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado (
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