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ILUSTRADO
Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009, 20h:08

MÚSICA

Jacob do Bandolim no MIS-RJ

Por Lucas Nobile
Agência Estado
Rio - Ontem (13), dia que se completaram 40 anos da morte de Jacob do Bandolim, sobram motivos para comemorações devido ao respeito no tratamento conferido à obra deixada como legado pelo maior compositor de choro, ao lado de Pixinguinha. Graças ao trabalho do Instituto Jacob do Bandolim, entre o fim de outubro e o início de novembro deste ano, seis mil partituras do acervo do bandolinista e 350 CDs estarão disponíveis para o público como material de pesquisa, no Museu da Imagem e do Som (MIS), do Rio de Janeiro. A grandeza dessa herança é revelada por um lado pouco conhecido de Jacob e escondido atrás de sua genialidade como instrumentista e compositor. Perfeccionista e organizado ao extremo, ele tinha o hábito de gravar e catalogar tudo o que o cercava, como por exemplo, os famosos saraus e ensaios que ocorriam aos sábados no quintal de sua casa em Jacarepaguá, de 1950 a 1969. As centenas de CDs - fruto da digitalização de 200 fitas de rolos magnéticos, com 400 horas de gravação - trazem também raridades, como depoimentos de Jacob, uma entrevista feita por ele com o cantor Orlando Silva por telefone, programas de rádios dos quais o bandolinista participava e a íntegra da transmissão radiofônica da final da Copa do Mundo de 1958, disputada pelo Brasil e pela Suécia. "É de suma importância que o brasileiro conheça a sua cultura. Nós, infelizmente, destruímos, o que temos aqui. Eu tenho obrigação de cuidar da obra do meu pai. As pessoas precisam conhecer o que temos de bom aqui, no País", diz Elena Bittencourt, filha de Jacob, e presidente do instituto. A digitalização das partituras ficou sob a coordenação do bandolinista Pedro Aragão. Já os rolos magnéticos contaram com o conhecimento daquele considerado por muitos como o sucessor de Jacob, Déo Rian, que ajudou a identificar as músicas e os integrantes que participaram das gravações. "Eu convivi com o Jacob de 1961 a 1969. Daquela turma de músicos, só sobrou eu que podia fazer esse trabalho de reconhecer os músicos participantes naquelas festas e saraus", diz Déo Rian. O instituto ainda lançará partituras inéditas encontradas nos arquivos de Jacob. Serão 34 cadernos manuscritos de composições que nunca foram gravadas, entre elas, raridades dos séculos 19 e 20. O caderno mais antigo era do compositor Nestor S. Cauby, com registros de 1887.

Edição EDIÇÃO 16963




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