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ILUSTRADO
Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014, 19h:57

EXPOSIÇÃO

Individual de Waldomiro de Deus abre hoje

Chá com bolo na galeria do Mirante das Águas dá início à mostra do conhecido artista baiano elogiado por Jorge Amado

Começa logo mais às 16h a mostra individual do artista plástico Waldomiro de Deus. O baiano é conhecido pela alta erudição de sua arte naïf. Apesar de parecer contraditório, não é — basta lembrar das figuras famosas em seus quadros mais conhecidos. É Nossa Senhora de cinta-liga, minissaia e botas pra cá, Jesus Cristo de bermudas pra lá, suas exposições por lugares como Bélgica, Alemanha e França e as muitas imagens de festas populares. Tudo entremeado e carregado em sua parte obscura, uma espécie de Francis Bacon à brasileira, a lembrar-nos as lendas populares em torno de mulas sem-cabeça, lobisomens e tudo o mais que habita nossa cultura menos urbana, caipira mesmo, de onde todos viemos neste nosso Brasil ainda hoje apenas semi-industrializado. “É realmente de Deus esse Waldomiro que reinventa a vida com a pureza de sua ingênua sabedoria. Um poeta do povo, um mágico”, escreveu sobre ele certa vez o conterrâneo Jorge Amado sobre o pintor que está prestes a completar 70 anos de idade. BREVE BIO Foi em 1966 que o artista Waldomiro de Deus conseguiu maior visibilidade para sua obra, ao participar, entre outras exposições, da I Bienal Nacional de Artes Plásticas, em Salvador, Bahia. Nessa mostra, Waldomiro expôs três pinturas referenciadas em viagens interplanetárias. Datam desse ano suas primeiras exposições coletivas no exterior, realizadas na Rússia, Polônia e França (Brasil Imprévu). Essas participações abriram-lhe as portas da IX Bienal Internacional de São Paulo. A partir de então, sua participação em mostras internacionais se intensificou. A década de 1980 foi marcada pela ascensão dos temas religiosos. Nos anos 90, temas religiosos carregados de misticismo persistiram, mas o pintor voltou-se também à violência urbana, às agressões à natureza, aos sequestros e chacinas, sem abandonar seus anjos, pássaros, flores, pastores e rebanhos. A primeira década do novo milênio, mais extensamente apresentada nessa mostra é de grande riqueza temática. Dentro da tendência de problematizar tragédias de monta, Waldomiro pintou o desmoronamento das torres gêmeas de Nova York, o acidente ocorrido durante as obras de uma estação de metrô em São Paulo, as chacinas de periferia e o tsunami que atingiu o Japão após terremoto de 8.9 graus. (Com Assessoria)

Edição EDIÇÃO 16967




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