ILUSTRADO
Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011, 21h:13
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TEATRO
Histórias bem contadas
Tapetes contadores de histórias já se apresentaram e ministraram oficinas em centros culturais e teatros no Brasil e noutros países
Marguerite Yourcenar foi uma das mais notáveis escritoras europeias do século passado e a primeira mulher a ser eleita para a Academia Francesa de Letras, em 1980, três séculos e meio depois de sua fundação. O fascínio que sua obra exerce até hoje pelo entendimento sobre outras culturas foi o viés escolhido pelo diretor, ator e dramaturgo Cadu Cinelli como ponto de partida para a terceira incursão no universo teatral adulto de seu grupo, Os tapetes contadores de histórias. Depois de percorrer 18 cidades catarinenses em 2008 dentro do Circuito SESC Baú de Histórias cumprir temporada nas Caixas Culturais de São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Salvador entre 2009 e 2010, 3Horizontes ganhou o Prêmio Myriam Muniz FUNARTE/2010 e realiza no primeiro trimestre de 2011 apresentações por João Pessoa, Florianópolis, Cuiabá e Uberlândia. Nesta final de semana o espetáculo chega à Cuiabá. A apresentação ocorre nos dias 18, 19 e 20/02, sempre às 20h, no Teatro SESC Arsenal com entrada franca. Livre adaptação do livro Contos Orientais, escrito pela autora belga em 1938, a peça se concentra em três narrativas da tradição oral que abordam a morte sob diferentes perspectivas. No palco, Cadu Cinelli, Helena Contente e Rosana Reátegui e a violoncelista Álea Almeida alternam a linguagem dramática com narrativa, canto e dança para encenar as três histórias inspiradas em contos do livro: A viúva Afrodisia (Grécia), que narra os últimos momentos de uma mulher na tentativa de enterrar seu amante, o assassino de seu marido; Como Wang Fô foi salvo (China), no qual o pintor Wang Fô e seu discípulo Ling, condenados à morte, encontram no interior de uma pintura a salvação; e O leite da morte (Bálcãs), que conta a história do sacrifício de uma jovem, que é enterrada viva no interior de uma torre e amamenta seu filho, com os seios à mostra, em meio à parede de pedras. São três horizontes diferentes alcançados por tentativas aflitas de se escapar de uma sociedade e um sistema opressores, como forma de transcender suas existências e encontrar na morte um caminho para a liberdade, o amor e a paixão, analisa Cinelli. No entanto, a ideia de uma releitura transformadora e poética da morte é na verdade uma maneira de levantar a discussão da valorização da vida, de buscarmos uma reflexão dos valores humanos, morais e éticos, tão em crise atualmente, completa. Os cenários, figurinos e adereços panos, escadas, bacias, panelas e água, entre outros elementos foram criados em conjunto pelo grupo com a intenção de reforçar as tensões e o conteúdo simbólico da trama, em uma constante elaboração do espaço como instalação. Também a trilha original de Álea Almeida, a dança, as artes visuais e a alternância com a linguagem narrativa são recursos que escolhemos para a construção dramatúrgica do espetáculo, explica o diretor, que contou para este espetáculo com a colaboração na direção de Tatiana Motta Lima. (Com Assessoria) SERVIÇO: O QUE: Espetáculo: 3HORIZONTES QUANDO: Apresentações 18, 19 E 20/02 20h ONDE: Teatro SESC Arsenal QUANTO: Grátis INFORMAÇÕES: Censura 18 anos, (65) 3611 0550