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ILUSTRADO
Segunda-feira, 16 de Novembro de 2015, 19h:22

MÚSICA

Gal Costa, uma mulher estratosférica

Aos 70 anos Gal lança um disco de inéditas, com forte destaque para jovens compositores

Um dos pilares da música popular brasileira, revolucionária do canto moderno e ícone da contracultura, Gal Costa acaba de completar setenta anos. Ainda assim, soa como a mais moderna das nossas cantoras. Acaba de lançar Estratosférica, um dos mais elogiados álbuns de 2015, e se prepara para percorrer o país com o show homônimo. Em Estratosférica, a cantora aposta em canções de novos compositores – como Marcelo Camelo, Mallu Magalhães, Criolo, Céu, Jonas Sá, Lira (ex-Cordel do Fogo Encantado), Domenico Lancellotti, Moreno e Zeca Veloso – e de artistas de outras gerações, a exemplo de Tom Zé, Milton Nascimento, Antonio Cicero, Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Caetano Veloso. Ao celebrar cinco décadas de carreira, Gal reinventa-se nesse show apresentando uma artista leve, jovial e até roqueira, em um álbum com canções inéditas. Nessa trajetória a diva baiana deixou sua marca na história da MPB, bossa nova e samba brasileiros com sua voz marcante e suas músicas icônicas. Idade “Nada do que fiz, por mais feliz, está à altura do que há por fazer”, canta Gal na abertura de Estratosférica. Ela “exigiu” que Sem Medo nem Esperança, de Antônio Cícero e Arthur Nogueira, fosse a música a abrir o disco. “É realmente para este meu momento fodástica, é o meu rock”, justifica. No último dia 26 de outubro comemorou 70 anos de idade, mesmo assim, Gal lança um disco de inéditas, com forte destaque para jovens compositores, circula pelos principais programas de TV e nessa madrugada, “se não estiver morta”, fará a entrevista… Mas de onde tira tanto fôlego? “Sabia que existem mulheres de 70 anos que parecem mais novas e têm mais energia que algumas de 20 ou 30? Pois é, eu sou um exemplo disso! Eu tenho bastante energia e não me sinto com essa idade. Espiritualmente, sou mais jovem que minha idade cronológica. Minha idade está na música que faço e gosto”, disse. Maternidade Em 2007, aos 62 anos, a cantora tornou-se mãe de Gabriel, hoje com 10. Gal é uma mãe presente, tornando-se um exemplo às mulheres que desejam entrar em uma empreitada desse porte já com uma certa idade. Ela está sempre perto da cria, mesmo tendo que manter uma exaustiva agenda de shows, gravações e entrevistas. Pergunto o que a maternidade mudou nela, como mulher. “A maternidade me fez e faz muito bem! Meu sonho de ser mãe tornou-se realidade e sou feliz por isso. Meu filho é o amor da minha vida”, disse. Virtualidade Gal lida de uma forma bastante orgânica com os meios virtuais. Começou no Twitter, postando diariamente, até se estressar com o patrulhamento ideológico. Ainda morando em Salvador, soltou na internet uma brincadeira relacionando a Bahia à preguiça. Depois da confusão, disparou: “Tô fora! Um beijo com carinho, amor e delicadeza para os que preservam estes sentimentos. Adeus”. Mas o pequeno ruído não afastou Gal dos meios virtuais. Hoje, a cantora circula pelo instagram como @galcosta, e está em paz com as outras redes. “Eu gosto de internet, de estar conectada. Tenho Twitter, Instagram e Facebook. Uso todos eles e sigo quem gosto. Posto muitas fotos também, do passado e do presente. Leio jornais e ouço música, além das coisas práticas da vida”, conta. Se hoje entrar em cena é deparar com celulares apontando para a sua direção, com a popularidade das canções sendo medida pelo número de aparelhos filmando, Gal costuma assistir a essas gravações amadoras de suas próprias performances? “Eu vejo sempre. Alguns são legais, outros não. Muitas vezes o som é ruim. Com o avanço da tecnologia, é impossível controlar esse tipo de coisa, e antes mesmo de terminar um show, músicas já estão postadas na internet. É um bom termômetro para sabermos a dimensão do sucesso e repercussão que o trabalho tem”, disse Gal. Sensualidade Em 1973, Gal Costa estreava o show e lançava o disco Índia, apostando alto na sensualidade. Na capa, censurada pelos militares, um close frontal vestindo um pequeno biquíni vermelho. Na contracapa, os seios nus. No palco, fendas, decotes e paetês. Como a Gal de Estratosférica olha para a Gal de Índia? “Sou ainda aquela de Índia. Gosto de ousar, dar saltos e enfrentar precipícios. Mudar faz bem à saúde e ao público. Acho que agindo assim a gente ganha mais do que perde”. Em relação àquele tempo, estamos mais caretas? “Os tempos são outros. Aquele tempo foi uma época de busca da liberdade. Isso se deu no mundo todo. Em contrapartida, no Brasil havia uma ditadura horrorosa e lutávamos contra ela”, conta a cantora baiana. Musicalidade Mesmo diante da curiosidade do público para conferir ao vivo as canções de Estratosférica, Gal segue misteriosa. Não abre o jogo. “Na verdade, o show já está ensaiado musicalmente e com repertório definido. Com roteiro e tudo mais. Claro que a maioria das canções do disco estão no show, mas não darei mais pistas para manter a surpresa. Eu não estou morta, estou ligada e cheia de energia. A música me dá essa energia”, finaliza a eterna Gal.

Edição EDIÇÃO 16967




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