ILUSTRADO
Segunda-feira, 23 de Junho de 2008, 20h:10
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ENSAIO
Festival Siminina 2008
Teatro da UFMT recebeu mais de 200 crianças e adolescentes para o primeiro ensaio geral de espetáculo que entra em cena nos dias 8 e 9 de julho
Pela primeira vez em dois meses, toda equipe do Festival Siminina 2008 esteve reunida para o primeiro ensaio geral no teatro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Até então, as 196 garotas estavam repassando as doze coreografias separadamente, cada uma delas em suas unidades. O coral de 50 vozes, as doze atrizes mirins - integrantes do próprio Siminina - e os doze deficientes físicos também entraram em cena dessa vez. O objetivo nesse momento, segundo o coordenador artístico, o ator Vital Siqueira, era "eliminar os problemas", além de promover integração entre os grupos. O espetáculo ocorrerá nos dias 8 e 9 de julho, no espaço cedido pela universidade. Sob a coordenação geral da produtora cultural Cybelle Bussiki, o Festival Siminina trabalhará com o tema "Flict", uma obra adaptada de Ziraldo que conta a história de uma menina que tenta encontrar seu lugar no mundo. Nessa trajetória de busca, percebe que tem uma espécie de cor que não consta no arco-íris. A expectativa é justamente provocar reflexões em toda platéia, composta também por 1374 garotas do próprio Siminina, para a importância do respeito às diferenças. Segundo Vital Siqueira, um dos momentos mais esperados acontece quando os deficientes físicos entram no palco. A afinidade deles com as meninas surpreende e emociona pela naturalidade. A proposta é pouco cenário e muita iluminação para dar a idéia de que elas, como seres humanos que são, também integram o universo, assim como os demais elementos da natureza. A criação do figurino está sob a coordenação do estilista Jorge Catumba, enquanto ao figurinista Júlio Tavares coube a linha de produção das peças, que apostaram no colorido. "No final tudo se transforma em uma grande aquarela, mostramos integração do ser humano com o universo, ao sentir, pensar e sonhar". Para a secretária de Assistência Social e Desenvolvimento Humano, Celcita Pinheiro, a desenvoltura delas é impressionante. "Avalio o tema escolhido pela coordenação do programa como oportuno para o momento social em que vivemos, porque trata do medo do ser humano para o novo, trabalha o conceito de discriminação de uma maneira artística e poética, estou encantada". Além da Prefeitura de Cuiabá, o programa conta com alguns patrocinadores, como Rede Cemat, Brasil Telecom, Unimed e Petrobrás. A coordenadora do Siminina, Laiza Luz, explica que as pesquisas sobre música e estilo coreográfico começaram há pelo menos quatro meses, o caminho até chegar ao espetáculo é longo e tem exigido das garotas concentração exclusiva no último mês de ensaios. Responsável por toda produção, ela pontua que além de mostrar os conhecimentos aprendidos ao longo ano, elas terão um referencial positivo sobre a maneira como devem viver neste mundo. Esse é o sexto festival realizado, o quarto na atual gestão. "Uma das grandes importâncias do festival é promover inclusão social porque dá oportunidade às meninas da periferia em mostrar seu trabalho e serem acompanhadas por professores de qualidade". Para Larissa França, 11, e Solange Silva Prado, 10, ambas da unidade do programa no Jardim Leblon, participar das apresentações tem sido um grande aprendizado. Apesar do nervosismo inicial, Larissa garante que adora estar no palco e não se intimida com a platéia. "Tudo é muito mágico, fico feliz em poder estar aqui, porque meus amigos e professores são pessoas da minha família". Já Solange, fica orgulhosa da própria evolução. "Quando comecei a participar, há três anos, não tinha muita noção, hoje estou mais confiante". A cadeirante Patrícia Souza Ferreira, 19, também está ansiosa com a data de início do festival. Essa não será a primeira participação em dança, mas será diferente pela proposta que vai levar ao público, voltada à aceitação das diferenças. "A discriminação ainda é comum, tem gente que nos acha coitados, mas a peça veio para mostrar exatamente o contrário. Somos fortes e podemos estar integrados à sociedade, basta haver amor e solidariedade". Siminina - Integram o programa 1570 mil meninas, de quinze unidades distribuídas pelo município de Cuiabá. Os resultados são ótimos na prevenção e combate à violência doméstica, gravidez na adolescência, reprovação e evasão escolar. Específico para meninas pobres com idade entre sete e quatorze anos, não registrou no ano passado nenhum caso de gravidez, além de ter ótimos índices de aprovação escolar.(com assessoria)