Foi mais uma edição do festival Curipampã, minha gente! Ops! É Festival Calango, cara. Não é Jacaré de Parede, muito menos. Puxa foi tão rápido. Só três dias. Voam mesmo. Uma maratona de rock de sexta a domingo. Cerca de 14 bandas por noite. O Centro de Eventos do Pantanal se transformou na cidadela do roquenrou mato-grossense. Foi montado um verdadeiro mercado persa do mundo underground. Tinha birinaites, quitutes, doces, sanduíches. Artes integradas etc. E a cerveja light Sol marcou presença por lá também. Oficinas de tatuagem com stands completos. E a raça se produzindo na maior. Tatoo rolando solto. Como de costume, dois palcos onde as bandas com a velocidade necessária se alternavam num frenesi espetacular. Até celebrei meu niver lá junto com uma galera de amigos. No sábado a banda Hurtmold de SP surpreendeu com suas inovadoras sonoridades. Foi a vez de um clarone solista tomar conta da cena. Macaco Bong como sempre detonou e agradou a turmada toda. No domingo a nossa banda predileta Vanguart mostrou 03 novas músicas que estão em fase de gravação do CD n.º 02. A platéia reagiu bem ante a notícia sonora. Originais timbres e harmonias quentes chegaram aos ouvidos dos fãs. Todos os músicos dos grupos que se apresentaram demonstravam muita concentração na performance. Havia também mostras de poesia e artes plásticas. Versos sedutores como os do violeiro André Balbino chamavam atenção. O comércio de roupas no bom estilo chapchura fazia a curiosidade do mulherio. Talvez tenham faltado mais cadeiras pro povo sentar. Ainda que houvesse um tímido número delas no local. Na assistência poetas, escritores, jornalistas, estudantes, músicos, intelectuais em geral. Já vibrei com o Festival Calango no campus da UFMT, no bairro do Porto e agora no Centro de Eventos do Pantanal. Pelo volume de livros captados junto ao ingresso da platéia e sua oscilação de uma noite para outra. Não sei bem se o local é o mais adequado. Acho que os freqüentadores deveriam ser consultados. O Centro de Eventos tá longe do centro da cidade. O povo do rock tem que pegar muito ônibus. A CUFA Central Única das Favelas poderia elaborar um estudo sobre o tema. Enfim, não vi grande entusiasmo dos presentes. O festival ficou meio muralhado lá no Centro de Eventos. Sabe aquele lance de muita parede? Daí que a situação foi um tanto quanto morna na platéia. Mas, viva o seu, o meu, o nosso Calango Rock Festival! *Ney Arruda é professor universitário, doutorando pela Universidad de Burgos (Espanha) e violinista cuiabano, (
[email protected])