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Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 04 de Maio de 2013, 13h:12

COLUNA ARTE REAL

EXOTERISMO E ESOTERISMO NA MAÇONARIA*

Autor desconhecido
Da Reportagem
EXOTERISMO E ESOTERISMO NA MAÇONARIA* (I Parte) Autor desconhecido Nicola Aslan, em seu livro “Comentários ao Ritual de Aprendiz”, ao analisar esses dois modos de ser da Maçonaria, faz uma série de observações esclarecedoras: Maçonaria apresenta dois aspectos, que lhe conferem duas personalidades muito distintas, o exotérico e o esotérico: o primeiro, assegura-lhe a qualidade de sociedade civil perante os poderes públicos e trata da organização do governo da Instituição, através de leis e regulamentos (mais ou menos semelhantes aos das demais associações profanas); o segundo, o mais importante, confere-lhe o aspecto de associação moral e espiritual, única razão de ser da Instituição Maçônica (trata-se dos Ritos Iniciáticos, da liturgia e, também, do ensino simbólico, esotérico e filosófico da Ordem). Este ensino não obedece a programas previamente organizados, não tem regulamentação determinada nem leis escritas. Tal ensinança, que se perpetua através da Tradição, de um lado, do estudo e da meditação, do outro, é eminentemente autodidática. Embora não se baseie em livros e tratados, estes abrem-lhe, todavia, horizontes muito mais amplos, fazendo germinar ideias e pensamentos mais profundos, os quais, por sua vez, desenvolvem a intuição, que abre o caminho para a Verdade. Em todos os colégios iniciáticos da Antiguidade, cujos métodos a Maçonaria adotou, o ensinamento era conferido sob a forma de Ritos e de Símbolos, com o mínimo de palavras interpretativas. Consideravam o gesto e a encenação muito mais eloquentes que a linguagem falada, visto que neles estava encerrado algo que devia ser adivinhado, e quem não compreendesse era considerado rebelde à Iniciação e permanecia profano. Em nossos dias, todavia, quando o progresso e a ciência se fazem sentir em todos os domínios e os conhecimentos humanos adquirem proporções inimagináveis, o tempo, de que um homem dispõe, torna-se cada vez mais escasso, e os compromissos de toda ordem pesam de maneira opressiva sobre todos. E, não obstante, a Iniciação não sofreu grandes modificações nas suas finalidades, eis que, como a Religião, ela responde a anseios de religiosidade e de espiritualidade inatos ao ser humano. Apenas, o seu ensino, com a instrução mais generalizada e o auxílio preponderante do livro, adquiriu um Grau de elevação muito maior, tendo sido expurgado de uma escória de conhecimentos obsoletos, de superstições e crendices que o desacreditavam perante a elite intelectual contemporânea. Embora publicados com maior número de palavras, os Rituais não podem, contudo, transmitir todos os conhecimentos iniciáticos e todos os ensinamentos doutrinários. Explicando, apenas, uma parte mínima, deixam que o Neófito empregue esforços para compreender por si mesmo o significado dos Símbolos, dando-lhe a sua própria interpretação simbólica, esotérica, teosófica, etc. Essa lei não-escrita é respeitada por todas as Obediências Maçônicas, e, se as Constituições permitem a cada Potência “alterar, revogar ou anular leis e regulamentos”, afirmam, todavia, que são, em última análise, a lei não-escrita da Maçonaria, na qual estão compreendidos os “usos e costumes” da Fraternidade, que é necessário conhecer, estudar e compreender. Alguns deles, entre os quais a Iniciação, perdem-se na pré-história, razão pela qual numerosos escritores têm confundido a Maçonaria com a Iniciação. Certas constituições dizem, ainda, que serão respeitados os princípios gerais das Constituições de Anderson e certos postulados universais da Ordem, entre os quais estão citados: a existência de um Princípio Criador – o Grande Arquiteto do Universo - o sigilo, o simbolismo da Maçonaria Operativa, etc. Porém, desde o seu aparecimento, o racionalismo começou a minar, para, em seguida, declarar guerra sem quartel ao Simbolismo, base incontestável de toda a ensinança maçônica, pois, enquanto o racionalismo só dá valor ao que é positivo, preciso e baseado na observação metódica, o Simbolismo limita a sua ação a sugestões indefinidas que se dirigem à imaginação. E, assim, repletos de saber positivo e científico, numerosos Maçons passaram a desprezar o simbolismo, tão ligado às religiões, acabando por abandonar o seu estudo, e essa ciência, sagrada em outras épocas e essencialmente iniciática, tornou-se, para a maioria, letra morta. Dessa forma, embora todos entrem para a Maçonaria pela porta da Iniciação, poucos são dotados com a necessária predisposição de espírito para compreendê-la, continuando nela com o mesmo sistema de vida, as mesmas preocupações e objetivos meramente profanos. Esvaziadas em grande parte, de sua missão moralizadora e espiritual, as Lojas foram, pouco a pouco, esquecendo-se dos ensinamentos simbólicos e esotéricos e arremedando uma Iniciação inteiramente despojada de seus objetivos de aperfeiçoamento intelectual e moral iniciais. Foram se transformando em meras sociedades filantrópicas e de mútuo socorro, numa flagrante regressão histórica. Relegando ao esquecimento o “desbaste da Pedra Bruta”, passaram, a fim de preencherem a Sessão, a ocupar-se dos problemas do cotidiano e de assuntos da atualidade, científicos, políticos, sociais, deixando-se invadir por uma logomaquia árida e fastidiosa, entremeada, às vezes, por algum ato de benemerência de maior ou menor alcance, mas, principalmente, com objetivos promocionais, ou por projetos e construções de Templos. Ao analisar, em sua obra “Les Mystères de la Franc-Maçonnerie”, o espírito reinante nas Lojas francesas de sua época, posto que a Maçonaria Francesa esteve na vanguarda do movimento racionalista, o que lhe valeu a perda da regularidade maçônica, Oswald Wirth teceu os seguintes comentários: embora transformadas em parlamentos em ponto pequeno, as Lojas francesas dos fins do século XIX não deixaram, contudo, de permanecer fiéis aos usos maçônicos mais inveterados. Os hábitos de disciplina foram mantidos. Para obter a palavra, o advogado de uma causa ultraprofana devia colocar-se “à ordem”. Um golpe de Malhete impunha silêncio, e os trabalhos continuaram a ser abertos e encerrados segundo os Ritos. Em certas Oficinas, na verdade, a tendência ao relaxamento acentuou-se; chegou-se a simplificar ao máximo as formas tradicionais, a ponto de não dar mais aos velhos Maçons a sensação de se encontrarem em um meio maçônico. Isso era passar das medidas, visto que o Maçom, por muito pouco filósofo que seja, quer sentir-se Maçom. Se nada relembra ao adepto que ele não é mais profano, revolta-se o seu instinto maçônico. É isso o que sucedeu no seio das Lojas, radicalmente modernizadas em demasia: sem Ritos nem Símbolos, assumiram a figura de clubes profanos, que não demoraram a fazer sentir que a Maçonaria não é uma simples associação política ou uma vasta confraria, exercendo a beneficência. Há nela um lado misterioso que intriga e dá a refletir: são os Ritos e os Símbolos, sem os quais Ela desaparece. Solicitando a atenção do “iniciável”, convidam-no a penetrar nos mistérios da Arte Real. Coluna Arte real, neste espaço todos os domingos. O presente artigo pode ser encontrado em toda a sua íntegra na Revista Arte Real, uma publicação e comercialização de assinaturas da Grande Loja Maçônica do Estado de Mato Grosso. www.glemt.org.br – [email protected] e [email protected] *Trabalho publicado no Centro de Estudos e Pesquisas Maçônicas Expansão da Luz.

Edição EDIÇÃO 16963




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