Não é de um ano, às vezes de uma vida, duas vidas, etc. É muito mais fácil provocar aqui uma série de fenômenos de maneira que ninguém entenda, do que dar aula de maneira que todos entendam. Essa é a diferença entre a iniciação real e a iniciação simbólica. Isso é importante na nossa vida, porque a todo instante, a todo o momento, nós estamos criando coisas positivas e negativas, coisas essas que vão influir diretamente no nosso destino. Por isso, dizem os grandes ocultistas, que a última yoga que se faz é a da hora da morte, é a última experiência que nós levamos de uma vida porque estamos nos projetando para o futuro. Por isso é que se diz que um ser, na hora da morte, pode ser recuperado. Todo aquele que trabalha positivamente está enriquecendo a experiência da Divindade que, nesse caso, será a experiência coletiva. Da mesma forma, todos aqueles que trabalham para o passado, estão impedindo que a humanidade progrida. Daí haver uma certa sutileza entre o que é certo, e o que é errado, entre o que é bom e o que é mau. Porque tudo aquilo que era certo até hoje, se houve uma mudança de ciclo, já passa a ser errado. Quem não tiver capacidade para uma nova adaptação, continuará no passado, continuará errado, porque já não está na tônica da época. É essa a diferença entre o bem e o mal. Tudo aquilo que, até hoje, era uma sublimidade, se amanhã a lei for outra, se houver modificação cíclica, passará a ser velho, antiquado. De modo que o que era bom até hoje, nesse futuro ciclo já passa a ser ruim, já passa a ser prejudicial. Tanto assim que a própria língua, os próprios termos, as próprias expressões humanas vão se modificando. Há um progresso, há uma evolução. Então, o que é que eles fazem? - Chamam de iniciação uma série de coisas que surgem na vida do indivíduo como se fossem surpresas; e essas surpresas é que fazem com que a nossa consciência venha a falar nesse simbolismo da Torre de Babel. A Torre de Babel é o símbolo da própria evolução, é todo aquele que está surpreendido. Por isso se fala na Torre de Babel, nas Sete Cidades Sagradas e todos vem essa separação no mundo, nos sete estados de consciência. Por exemplo: se um discípulo vivia num determinado templo, quando passasse para um outro mais adiantado, tinha que sentir uma surpresa, um choque. Isso fazia com que a sua consciência se tornasse mais esplendorosa. Isso é que é iniciação. É sempre o indivíduo, com o futuro, com o que virá, e não se amoldar ao que foi. Por isso é que se diz que nas sete cidades do grande País de Mu, havia muros que se separavam uma das outras. O habitante da primeira cidade não saberia o que se passava na segunda cidade e assim por diante. Quando ele aí penetrava, recebia um choque, o que lhe valia por uma iniciação ou a ascensão de um degrau na escada evolucional. Isso é que faz com que a consciência venha para fora, até certo ponto, é um indivíduo que está sempre progredindo, está sempre se atirando para o futuro, entretanto de certo modo é um falso aventureiro; o verdadeiro aventureiro é que é o verdadeiro homem; é o que está sempre se chocando com o desconhecido, está sempre sujeito a surpresas. A iniciação é assim. Não podemos, por exemplo, adotar um método e seguir 100 anos esse método. Assim, iríamos cair naturalmente numa rotina. E se cairmos numa rotina iremos fabricar coisas que já foram fabricadas. De sorte que a projeção para o futuro é sempre uma nova projeção. Esse é que é o verdadeiro caminho da evolução. Esse é que é o verdadeiro arquiteto, o verdadeiro pedreiro, livre, porque pensa livremente, constrói o seu edifício. Se todos construírem um edifício, equivale a dizer que uma cidade está sendo construída, está havendo uma coletividade de construções. Quando estudarem o centro de força cardíaco, irão ver que os orientais o representavam por dois triângulos entrelaçados: um com o vértice para cima e o outro com o vértice para baixo. São as tendências positivas e as tendências negativas. As tendências criadas no sentido evolucional e as tendências criadas no sentido involucional ou em relação ao passado ou aquilo que não tem mais razão de ser. Isso se verifica a todo instante, a toda hora. Faz parte do cenário da nossa vida. Por isso todo gênio, quando surge, é combatido porque ninguém quer aprender coisas novas porque isso dá trabalho; todos preferem ficar com o que já aprenderam por uma questão de comodismo. De maneira que toda a boa nova é recebida com reação. Assim, podemos dizer que, se daqui a cem anos o nosso movimento continuar a ser teosófico nós estaremos dentro da Lei? - Não. Teremos que nos adaptar à época, aos conceitos, à filosofia, à arte, ao modo de viver que será próprio para essa época e não usarmos as mesmas coisas, os mesmos pontos de vista de hoje. Se assim fizéssemos, estaríamos imitando o Jeca Tatu: o seu pai plantava mandioca, plantará mandioca também. Se o pai andava de carro de boi, não pode comprar um automóvel, porque tem que andar de carro de boi. Se temos NIDHÂNAS, devemos criar ESCANDAS, aquilo que representa o futuro, aquilo que virá. Por isso que, para nós, Divindade é o futuro, é aquilo que virá. Os nossos filhos são mais divinos que nós. Os nossos netos já são mais divinos que os nossos filhos, porque eles já representam uma projeção para o futuro e assim sucessivamente. É por isso que o próprio lema da Instituição é SPESS MESSIS IN SEMINE, ou seja: a esperança da colheita reside na semente. E assim se foca muito o futuro da criança, daqueles que estão nascendo porque, realmente, eles têm muito mais probabilidade de serem portadores de novos conhecimentos, de novos conceitos do que nós. Nós temos essa facilidade de adaptarmos as coisas ao nosso interesse. É por isso que todos os avataras quando desaparecem, formam do seu ideal uma religião, um modo cômodo de prosseguir as ideias, adotar as ideias antigas porque as ideias novas, geralmente trazem sacrifício, trazem o trabalho. O indivíduo, levado pela vaidade, pela tradição, se firma no passado em vez de se projetar no futuro. E, como predomina em nós o corpo emocional, geralmente aprendemos mais pela repetição e, geralmente, gostamos achamos fácil repetir uma coisa que já sabemos fazer. Isso é muito mais fácil do que aprender uma coisa nova. É essa a grande dificuldade no mundo. É por isso que se batem por uma coisa antiga, todos procuram o seu bem-estar e acaba o mundo inteiro brigando entre si. Depois, o mundo inteiro briga entre si para o bem-estar de cada um. E é assim que o mundo se acaba. O iniciado é aquele que procura, desde já, adquirir novas tendências, novas ESCANDAS, construir o seu mundo futuro, procura apresentar uma nova criação, por conseguinte, desde já procura adaptar a sua inteligência, o seu corpo emocional em relação ao futuro. É por isso que no oriente eles falam na doutrina do olho e na doutrina do coração. A doutrina do olho é a capacidade, o poder criador pela inteligência e a doutrina do coração já é pelo caráter, pela ação reta, pela perseverança, pela força de vontade do discípulo. E não há necessidade da doutrina da educação física, porque a nossa própria natureza humana permite que assim seja. De modo que se cuida dessa parte mais sutil; mas sem um corpo físico perfeito, não funcionará bem. Tanto assim que Vivekananda, num congresso realizado na América do Norte, teve ocasião de dizer que a Índia não precisava de espiritualidade; precisava era de pão. Porque, quando há fome, ninguém pode pensar em espírito, porque o próprio cérebro não está capacitado a relacionar. E o indivíduo debilitado fisicamente não poderá progredir, nem no campo emocional, nem no campo espiritual porque lhe falta a base física, falta a parte concreta, falta a parte modeladora. Assim, há necessidade de um corpo são para que haja uma alma sã e um espírito são também. Por isso o verdadeiro ser é aquele que possui um corpo físico em harmonia com o corpo psíquico e em harmonia com o corpo espiritual. Aí, ele é um vencedor dos três mundos. Esse é que é o verdadeiro homem integral. Se ele tira uma vida, também poderá dar 10; se ele destrói um elemento da natureza, ele constrói outros. Logo, há um equilíbrio, há uma recuperação. Isso é que se chama Justiça Universal. Coluna Eubiose: Todas as quarta-feiras. Copyright© Sociedade Brasileira de Eubiose® - SBE Todos os direitos reservados. Proibida alteração no texto. Permitida a reprodução, desde que sejam citados fonte e autor. Matéria extraída da Série Divulgação da Sociedade Brasileira de Eubiose SBE. www.eubiose.org.br e www.mosaicosdonovociclo.com.br e
[email protected] Facebook: Eubiose Cuiabá