ILUSTRADO
Quarta-feira, 11 de Novembro de 2015, 21h:13
A
A
CINEMA
Enfim, Chatô vai chegar às telas
Após 20 anos de produção, diretor Guilherme Fontes promete lançar o longa nos cinemas ainda neste mês
A agenda e as salas exibidoras para o lançamento de Chatô, o Rei do Brasil já estão definidas, segundo revela o diretor e ator Guilherme Fontes. Foi uma longa jornada de 20 anos, desde que comprou os direitos do livro homônimo de Fernando Morais, em 1995, passando pelos dois anos de captações de recursos, o início das filmagens, em 1999, as interrupções até a conclusão das últimas cenas, agora em 2015. O filme será distribuído pelo próprio Fontes, primeiramente em São Paulo (com 25 cópias) e Rio (15), no próximo dia 19. Depois, virão Salvador, Belo Horizonte e Brasília, no dia 26. Em 3 de dezembro, o filme deve estrear nas capitais do Sul e, depois, no restante do país. Fontes revela-se prudente em suas expectativas: O risco nas salas é tão grande quanto o risco da bolsa de valores. Estou na chuva e, por isso, tenho que me molhar, brinca o diretor. Não tem problema, já comprei meu guarda-chuva. Vou distribuir de maneira bem consciente. Poderíamos lançar agora em todas as cidades, mas, por prudência e por facilidade, escolhi Rio e São Paulo primeiro. Não quero dar um passo maior que as pernas, disse Guilherme Fontes. O longa gira em torno da vida de Assis Chateuabriand (interpretado pelo ator Marco Ricca), entre outras coisas, o homem que trouxe a televisão ao país, em 1950. P - Por que você decidiu distribuir o filme por conta própria? Não houve interesse das distribuidoras? GUILHERME FONTES - Enfrentei as dificuldades que qualquer cineasta passa quando vai lançar seu filme, especialmente sendo uma produção independente. As propostas que recebi foram legais, simpáticas. O que me deixou mais feliz foi o interesse das distribuidoras. Mas tive de declinar esses convites por uma série de fatores, financeiros e burocráticos. Achei que teria mais controle sobre o lançamento caso eu tomasse as rédeas da distribuição. Assumi e vou fazer parcerias pontuais em certas praças. P - Não acha arriscado lançar o filme por conta própria? GUILHERME FONTES - O risco no cinema é tão grande quanto o risco da bolsa de valores. Estou na chuva e, estando nela, tenho que me molhar. Não tem problema, já comprei meu guarda-chuva (risos). Vou distribuir de maneira bem consciente para que possamos atingir nosso objetivo de bilheteria. Poderíamos lançar agora em todas as cidades, mas, por prudência e por facilidade, escolhi Rio e São Paulo primeiro. Não quero dar um passo maior que as pernas. P - A parceria com a Globo Filmes ainda continua valendo? GUILHERME FONTES - Eu tinha um acordo com a Globo Filmes, que é antigo, do tempo em que a empresa estava começando. Espero restabelecer a parceria nas próximas semanas. P - Qual é a opinião das pessoas que já assistiram ao longa? E você já tem alguma expectativa de bilheteria? GUILHERME FONTES - Apesar de ser um grupo conhecido, as 50 pessoas que viram o filme até agora foram unânimes: adoraram. Por conta dessas reações, estou otimista. Em cima dessa projeção, meu filme fará sucesso se as pessoas ficarem emocionadas e se distraírem com ele; caso contrário, não fará sucesso de público. P - Qual foi o grande aprendizado desses percalços todos? GUILHERME FONTES - Não vou negar: nunca imaginei que a trajetória desse filme fosse fácil. O que me deixou surpreso na época em que comecei o projeto foi a rapidez e a facilidade com que levantei o dinheiro, o que terminou sendo meu maior pecado. Fico imaginando o que seria do meu filme se ele fosse finalizado em 1999. O que sei, hoje, é que os interesses são controlados por pessoas de caráter muito falho. Essas pessoas determinam o sucesso e o fracasso de quem cruza o caminho delas. Agora, você não pode fingir que não está vendo a bandidagem correr solta. Como não gosto de me misturar com essa bandidagem, tive que pagar um preço muito alto. Tem muito oportunismo por trás disso tudo.