ILUSTRADO
Segunda-feira, 28 de Maio de 2012, 20h:19
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MOSAICO
Em dose dupla no Sesc
Grupo de teatro regional integra programação do Palco Giratório, no Arsenal, com apresentações hoje e amanhã
A programação do Palco Giratório, projeto sediado pelo Sesc Arsenal, além de possibilitar o intercâmbio entre grupos teatrais de todo o país, contempla também os grupos do Estado. Neste ano, já se apresentou através do projeto o Grupo Tibanaré, de Cuiabá. Agora é a vez da Cia Teatro Mosaico(MT) mostrar o seu talento. No domingo, o grupo apresentou o clássico Romeu e Julieta. Hoje (29) o grupo apresenta o espetáculo Anjo Negro e amanhã (30) Muito barulho por nada. Para quem ainda não conhece, esta é uma boa oportunidade para conferir o trabalho do grupo. O espetáculo Anjo Negro, da obra de Nelson Rodrigues, será apresentado hoje, às 20h, no Salão Social do SESC Arsenal. A tragédia escrita em 1946 é atualizada na montagem de Sandro Lucose. Preconceito, adultério, jogos psicológicos e inúmeras mortes são alguns dos elementos que compõe a história. Ismael é um médico negro de grande prestígio que não aceita sua condição racial. Ele é casado com Virgínia, uma linda mulher branca. O casal sempre se vê obrigado a enterrar os filhos dessa relação inter-racial. A trama é conduzida pelo embate travado entre Virgínia e Ismael, pois ela sempre está grávida contra a sua vontade e assassina cada filho negro que nasce de seu ventre. No velório de seu filho, Virgínia é surpreendida pela chegada repentina do irmão de criação do marido, que é branco e cego, Elias (Sandro Lucose). Ela seduz o cunhado para poder ter um filho branco. O casal vive apenas na companhia da empregada negra, Hortênsia (Dani Ornellas) e das visitas esporádicas da tia de Virgínia (Daniela Leite) e também das primas solteironas (Biá Napolitani, Milena Machado e Rany Carneiro e Raquel Mützenberg). O elenco é formado ainda pelos coveiros (Venício Souza, Genival Souza e Celso Gayoso) que também executam a sonoplastia ao vivo do espetáculo. A equipe técnica conta com os figurinos de Pedro Lacerda, o cenário do artista plástico Pádua Nobre e a iluminação de César Germano. Muito Barulho Por Nada, de William Shakespeare, é uma história que se passa em Messina na Itália, mas que é transportada para uma praça em qualquer lugar do Brasil. Leonato, o governador da cidade, é um grande anfitrião que está em companhia de Hero e Beatriz, ambas filha e sobrinha, quando recebe em sua casa a visita de um grupo de jovens cavalheiros. Estes retornam vitoriosos de uma guerra e são pretendentes às duas damas, a fim de compartilhar seus dotes. Hero, a filha primogênita de Leonato, está prestes a ser desposada no altar, quando surge um segundo interessado na fortuna a ser herdada com o matrimônio. D. João e seu capacho Borracho que personificam as falhas humanas como inveja, ciúme, egoísmo e avareza os dois unem-se num plano para impedir o casamento da filha mais nobre de Messina. O casamento por dote e a autonomia feminina é o que movimentar esta trama, através dos jogos de máscaras de vários personagens que estão o tempo todo envolvidos em galanteios, paixões, disputas, sedução e intrigas, fazendo, assim, Muito Barulho por Nada como qualquer ser humano. A peça será apresentada amanhã (30), às 20 h, no Salão Social do Sesc Arsenal. HISTÓRICO O Teatro Mosaico foi fundado em 1995 pelo ator e produtor cultural mato-grossense, Sandro Lucose. Na época ele ainda estudava artes cênicas na Escola de Teatro da Universidade do Rio de Janeiro. Ao surgir em 95, o Mosaico era uma companhia formada por atores, diretores e técnicos advindos de diversas regiões do país, e que constituíram uma associação sem fins lucrativos. O objetivo era a criação de um campo de trabalho. Os artistas começaram a primeira produção sem nenhum patrocínio, contando, sobretudo, com o investimento e o esforço dos vários profissionais do grupo. Conforme Sandro, a qualidade e o primor artísticos da obra a ser produzida sempre estiveram à frente das metas. Sem recursos financeiros que pudessem garantir a subvenção total e/ou parcial do projeto em seu princípio, a produção só teve como saída para o trabalho a utilização de materiais alternativos, reciclando lixo para construir cenário, figurinos e adereços. O respaldo pela iniciativa não tardou, chegando a somar para a primeira montagem que ainda hoje está em plena atividade: Muito Barulho Por Nada, de William Shakespeare. Esta peça teve um total de 16 prêmios em várias categorias, inclusive o de melhor espetáculo, além de indicações e menções honrosas de personalidades das artes cênicas brasileira em festivais e mostras do Brasil. Agora com sede em Cuiabá, o Teatro Mosaico está a todo vapor constituído exclusivamente por artistas mato-grossenses e mantém a mesma estrutura organizacional como em seu princípio, sendo uma Associação Cultural formada somente por artistas do Estado de Mato Grosso. O projeto VEJA O TEATRO é o desdobramento de um longo trabalho de pesquisa cênica, sendo esta realização patrocinada pela BRASILTELECOM, que possibilitou a ação do VEJA O TEATRO, onde o Teatro Mosaico percorre cidades do interior do Brasil e também recebe semanalmente visitas de grupos de estudantes em seu ateliê, para conhecer a sistemática de uma produção profissional, vivenciando o passo a passo do ritual diário dos artistas, que desempenham diferentes funções como aderecistas, costureiros, instrutores de dança, músicos e atores. Dentre os espaços que o Teatro Mosaico já se apresentou destaca-se o Sesc Avenida Paulista (2008), Centro Cultural Banco do Brasil das cidades de Brasília (2006)e Rio de Janeiro (2004). O espetáculo Anjo Negro integrou a Mostra Oficial do Festival de Teatro de Curitiba 2011, considerado um dos festivais de maior visibilidade da America Latina.