ILUSTRADO
Quarta-feira, 09 de Maio de 2007, 21h:06
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ROTEIRO
Di Moretti e suas funções profissionais
O Brasil produz cerca de 70 filmes por ano, mas só existem 30 profissionais que fazem parte da associação de roteiristas
Deisy Boroviec
Especial para o Diário de Cuiabá
Quando eu disser gravando, vocês aí olham pro lado. E vocês aqui jogam poeira pra cima. Com uma frase mais ou menos assim, o roteirista Di Moretti resolveu um problema de imagem que ilustrasse uma corrida de cavalos. Pura criatividade, pois não havia cavalos. A cena descrita é do seu primeiro filme: O negrinho pastoreiro. Ele tinha apenas 14 anos e os atores eram amigos e colegas da escola. Com uma câmera Super 8, que Di ganhou do seu pai na adolescência, ele começou a dar os primeiros passos num caminho que hoje conhece bem: o roteiro. Há 13 anos vive exclusivamente da roteirização de filmes. Sete já foram produzidos e ganharam destaque nacional, como Filhas do Vento, um longa-metragem gravado no sul de Minas Gerais que retrata com poesia o racismo no Brasil. Ser roteirista é ter a oportunidade de conhecermos universos diferentes, disse. Nesta semana, Di está em Brasília passando texto com atores para o filme Simples Mortais, que começará a ser gravado na segunda quinzena deste mês. Ele costuma dizer: O roteirista acompanha o trabalho até o filme ficar pronto. O roteiro é o primeiro a ser feito e o primeiro a ser esquecido depois que a história está produzida. É no roteiro, onde as cenas, os planos, os diálogos e os personagens são definidos. Para explicar a importância e o trabalho do roteirista, Di passou cinco dias em Cuiabá com 30 alunos, selecionados pelo Instituto Cultural América (INCA), na primeira fase de oficinas integradas de Cinema. As oficinas fazem parte do 14º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, programado para começar dia 24, no cine Multiplex Pantanal. Os alunos ainda vão ter aulas de Direção e Produção. Na primeira parte, que foi Roteiro, os alunos aprenderam a fazer o storyline, a sinopse, o argumento, as características dos personagens, a escaleta e o roteiro literário. Esse é o trabalho do roteirista, a partir daí, vem o roteiro técnico que quem faz é o diretor, concluiu Di. É a terceira vez que o roteirista vem à capital mato-grossense. Na segunda vez, eu passei por Cuiabá para ir à Poconé, onde foi filmado o Latitude Zero. O filme citado por Di, conta a história de um garimpo abandonado, tema que ele teve que estudar antes de escrever o roteiro. Esse curso do Inca é importante, pois esclarece o que é a profissão de roteirista. Segundo Di, é importante que mais pessoas se interessem por se profissionalizar e trabalhar nessa área. O roteirista já assinou filmes como As Vidas de Maria, Vida de Cachorro, Lugar Nenhum e Cabra Cega, entre outros. Atualmente são produzidos cerca de 70 filmes por ano e só existem 30 roteiristas que fazem parte da Associação de Roteiristas, a qual foi instituída há seis meses e é presidida por ele. Falta esse profissional no mercado, complementa.