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Cuiabá MT, Domingo, 21 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 24 de Novembro de 2012, 14h:15

CRÔNICA

Destaque

Luís Gonçalves
Especial para o Diário de Cuiabá
Lembro das prosas. Onde gastávamos as horas amolando a língua na espada alheia. Não sei como isso pode acontecer. Sei que deveríamos responder sempre com palavras alheias. Depois as perguntas começaram a seguir o mesmo padrão. Alguém fazia a colocação que ilustrasse um escrito. O outro deveria responder com uma frase que fizesse sentido. Mas que deveria ter pulado do lápis de algum autor. Na dúvida deveria dizer autor e publicação. Anotado. Depois era feito a checagem junto à biblioteca. Certa vez alguém lascou uma frase muito doida. Assegurou que não sabia o autor nem a publicação. A frase foi aceita devido o teor catedrático. Possuía pegada forte dos escritos antigos. Portanto, válida pela qualidade. Foi lavrado o acordo. Todos deveriam procurar a origem da tal frase. Como sempre estive assoberbado com os escritos. Dei pouca atenção. Embora tenha ficado com a frase na memória. Não era uma frase pronta a colocar o juízo em guarda. Mas era uma frase que continha uma mistura fina de pilhéria. Com sentido plural. Talvez seja exatamente esse o motivo que a arrochei junto á memória. No meu fraco modo de pensar. Sempre acreditei que seria uma dessas frases. Que se soltam em meio vagos delírios. Que foi tropeçar em algum local onde ficou presa até aquele momento. Nunca dispensei um minuto sequer à procura do esconderijo da dita cuja frase. Em compensação as meninas balançaram folhas atrás da origem. Essa frase acabou com a brincadeira. Devido ninguém ter tido notícia da abençoada frase. Houve uma discussão imperdoável. Acusações que alguém inventou uma frase inexistente. Apenas para se sair do arrocho das letras. A outra afirmava que a frase estava amoitada em algum lugar. Senti que a pirraça maior era o fato da frase ser excêntrica. Porém, totalmente desconhecida. Justamente aquela pessoa conseguiu a façanha de trazer a cena. Uma frase totalmente desconhecida com valor literário. O que a transformava numa pessoa especial. Que foi encontrada por uma frase especial. Num local inusitado que ninguém conseguia adentrar. Era preferível finalizar a brincadeira em meio às acusações nada louvável. Que admitir tamanha vantagem. Como era o único homem no meio as mulheres preferi não dar a minha opinião. Nesse momento pender de um lado é acirrar ainda mais a disputa. Conversei muito tempo com a desolada privilegiada da frase. O tempo passou e embaralhamos no mundo. Naquela época era fácil perder as pessoas. O mundo representava apenas o momento vivido. Todos cuidavam da conta dos deveres e isso bastava. Quando alguém se distanciava sabia que dificilmente voltaria a reencontrar. Tanto que naquela época aconteciam boas despedidas. Aquele longo abraço febril. Que fazia os olhos suarem de tamanho calor. O cavalheiro sempre mantinha um lenço branco em guarda para acudir os rios de prantos. Talvez o motivo de se cultuar tamanho sentimento. As pessoas naquela época amavam demais. Faziam grandes apresentações sentimentais. Sem maiores cerimônia. Foi assim que reencontrei uma daquelas amigas. Esbarramos no meio a praça e acabamos num jantar. Fazia muito tempo que quase não me lembrei que o mundo dá muitas voltas. No apartamento ainda sobrevivia amontoado diversos apelos românticos das décadas passadas. Desde que me encontrou gritou feliz que tinha algo muito especial para me mostrar. Assim que adentramos a sala. Escarafunchou as lembranças. Entregou a minha pessoa um rebotalho antigo de um jornal. Onde numa crônica infantil pulava a frase. Disse que não se continha de tamanha felicidade em mostrar a alguém do grupo que não era sua a frase. Fiquei encantado com a grandeza da menina. Certamente ainda não envolveu com o Ctrl + alguém. Luís Gonçalves – Publicitário e Escritor e colabora com o DC Ilustrado. [email protected]

Edição EDIÇÃO 16967




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