Eu acho e Não sei foram expressões muito usadas pelo garoto Gavin Arvizo, que acusa Michael Jackson de abuso sexual, em seu depoimento
A promotoria vai ter muito trabalho para conseguir reverter o caso Michael Jackson. O depoimento do menino Gavin Arvizo, que acusa o pop star de assédio sexual, foi considerado muito inconsistente por analistas legais americanos - assim como já havia acontecido quando o irmão e a irmã dele testemunharam. O próximo passo da defesa é "destruir" o caráter da mãe deles, Janet Arvizo. Durante os mais de dois dias em que respondeu perguntas do advogado Tom Mesereau, o garoto Gavin Arvizo, que está com 15 anos, não só admitiu que havia dito a um professor que "nada aconteceu" com Michael Jackson, como também apresentou várias inconsistências. De acordo com uma mensagem postada no site oficial do cantor, o menino usou as expressões "Eu acho" e "Não sei" mais de 90 vezes. Ele também respondeu várias questões com comentários como: "Acho que não" ou "Não me lembro direito". A estratégia da defesa - que teria funcionado, de acordo com vários analistas - é mostrar que Gavin era um garoto rebelde na escola, que dificilmente teria sido abusado sem reclamar. Ele também estaria acostumado a mentir e desobedecer adultos. Mesereau quer provar que Jackson não deu bebidas alcoólicas ao menino; ele é quem teria roubado garrafas de um depósito enquanto estava sozinho. Uma "testemunha surpresa" - outro garoto adolescente que esteve no rancho na mesma época que Gavin - deve dizer que os dois "aprontaram" juntos durante a temporada na mansão. Outro ponto importante que foi admitido por Gavin é que Jackson começou a evitar contato com a família logo depois que o câncer dele entrou em remissão. O menino enviou vários cartões para tentar reatar a "amizade" - o que contradiz a teoria de que o cantor ficou obcecado com ele desde o início. A acusação de que a família foi "detida" no rancho de Neverland e tentou "escapar" três vezes também passou a soar fantasiosa. A promotoria também pode ter errado em tentar "usar" a doença do menino para ganhar a simpatia do júri e esquentar o caso. Depois do dramático questionamento da defesa, a promotoria fez poucas perguntas a ele, o que foi considerado uma admissão de que ele fez "feio" ao subir no banco das testemunhas. Além da mãe, a defesa também pretende "ganhar pontos" com o testemunho do psicólogo Stanley Katz, que entrevistou o menino logo depois que a família procurou o advogado Larry Feldman. Ele teria dito em um depoimento preliminar que "Jackson não é um pedófilo, apenas sofre de regressão mental". Para ele, o cantor "se comporta como um menino adolescente". Katz também disse que Gavin mencionou o caso de Jordan Chandler, de 1993, o que seria uma indicação de que a família poderia estar inventando as acusações.