ILUSTRADO
Domingo, 13 de Setembro de 2009, 01h:26
A
A
LITERATURA
Crianças e adolescentes
Nosso caderno recebe muitos lançamentos interessantes e criativos voltados para o mercado editorial infantil e infanto-juvenil
Claudio de Oliveira
Da Reportagem
A literatura é feita de palavras certo? Errado. É feita de imaginação codificada em palavras e imagens. Cada vez mais a imagem toma lugar das palavras narrando o mundo e os nossos sentimentos. Mas não creio que há nada a temer, seguimos em direção à universalização do conhecimento humano. Os livros têm resistido bravamente ao avanço do rádio, da TV e da internet e tudo nos leva a crer que sobreviverão por muitos e muitos anos ainda. Chegamos a essa conclusão acompanhando de perto a realidade editorial infanto-juvenil. Na redação do Diário chegam cotidianamente livros lançados para as crianças e adolescentes. A Larousse Junior e a Escala Educacional talvez sejam as mais presentes por aqui, mas outras também aparecem como a Martins Fontes e a editora Positivo. É claro que também não esqueceríamos a nossa conterrânea Tanta Tinta com lançamentos incríveis como: Conferência no Cerrado, Cabelo Ruim?, Menina Pantanal, Dona Treleleca, entre outros. Clássicos ganham versão em quadrinhos como O Triste Fim de Policarpo Quaresma e Memórias Póstumas de Brás Cubas (ambos Escala educacional); mitos ganham releituras simples e belas no livros Mitos Gregos (Martins Fontes) entre outras aventuras que conto com mais detalhes abaixo. A editora Escala Educacional publicou no Brasil uma coleção francesa que tem a participação do brasileiro Fernando Vilela chamada Histórias sem palavras. São quatro livros ilustrados e coloridos que narram com leveza sentimentos humanos como solidão, coragem, amizade. Por se tratar de signos não-verbais a coleção instiga a imaginação e fala a qualquer criança de qualquer parte do mundo. Cada um lê do seu modo. A criança em fase pré-alfabetização se sente atraída pelas imagens e com pouco auxílio lê a história e se diverte. Na escola Moitará, onde as obras foram apresentadas, a professora Márcia Moreira ficou encantada e disse: é muito legal. Incentiva a imaginação e logo todas as crianças estavam contando o que viam, a sua versão da história. É certo que o dono do livro, o Artur não gostou muito já que a sua história é que era a certa. Risos. Entre os ilustradores da coleção estão: Mandana Sadat é de origem iraniana e vive em Paris; Béatrice Rodriguez e Juliette Binet são francesas formadas em Strasburgo, além do já citado Vilela que é paulista e tem entre outros prêmios, dois Jabutis em 2007, em duas categorias distintas. O Ovo é uma obra-prima da arte visual. A escritora e ilustradora Ana Raquel, que está em seu segundo livro solo, já ilustrou mais de 120 livros e é clara sua experiência ao nos deleitarmos com a obra. Os clássicos em quadrinhos atingem um público adolescente. A narrativa é menos densa que a obra propriamente e facilita a entrada neste universo. São até agora seis obras do bruxo do Cosme Velho, quatro do Lima Barreto e ainda do Aluísio de Azevedo, Antônio de Alcântara Machado e Manuel Antônio de Almeida com uma cada um. Do nosso quintal a Conferência no Cerrado é dos escritores Durval de França e Cristina Campos com ilustrações de Ricardo Leite em uma história fantástica que reúne os seres lendários; Currupira, Pé de Garrafa, Mãe do Morro e outros em uma reunião na caverna Aroe Jarí em Chapada dos Guimarães. Cabelo Ruim da Neusa Baptista resgata a auto-estima da mulher negra e Dona Treleleca auxilia no processo de aprendizagem da fala com o seu potrinho Trelelezinho. A história era contada pela vovó Danuza Lenzi ao seu neto e ganhou as páginas com auxílio da Tanta Tinta que viabilizou todos estes lançamentos do nosso quintal. Com tantas opções o que podemos esperar é um futuro de leitores. Talvez a média brasileira de um livro por ano passe a dois ou três daqui uns dez anos, quem sabe?