Fiz uma visita ombreira para um desafortunado amigo. O infeliz travou um romance desses fisga peito com uma dessas moçoilas que fala macio e tem o dom de futricar o destino dos outros. Fêmea desse quilate é duro de esquecer. Passei por algumas dessas que me levaram a pedir cem vezes para morrer e só a previdência sabe o quanto sofri. Não tem coisa pior que sofrer da maledicência do peito. Ao chegar encontrei um futuro defunto rogando a morte pelo perdão. Logo me veio á mente o velho tempo de padecimento. Esse tipo de fêmea é igual papel alumínio: tu enrola, mas faz um barulho danado. É um povo polido que sabe usar a força da língua. Provoca todo tipo de violência verbal sem qualquer cerimônia. Também, na hora de fazer o dever de casa possui o mais requintado traquejo e alcança as nuvens numa facilidade de dar inveja a qualquer Boeing desses que vivem caindo por ai. Se o rapaz não tiver a bondade de segurar a cabeça da coitadinha com as duas mãos é capaz de perder totalmente o juízo. Porém, quando encontra a porta de saída leva as vísceras do sujeito junto. Viver sem essas criaturas não faz nenhum bem para a saúde. Aproveitando que o sujeito já estava mesmo todo esculhambado parecendo assombração com medo de lobisomem lasquei logo uma história de pesadelo. Só pra assuntar o sangue do indivíduo. Contei que a última vez que encontrei uma bandida desse nível ainda era garotão. Adentrava a casa de ganhar as raparigas no grito. Bastou eu abrir o bico para uma e a danada me levou ali pela camarinha que sai de lá com uma baita aflição que sangrou o peito por vários anos consecutivos. Até dias de hoje ainda consigo me lembrar do jogo de cintura que a sujeita mantinha para me deixar na poeira. Quando consegui conviver com tamanho devaneio tive que aprender a consertar as feridas que sobraram como herança. Nessas alturas o infeliz já havia tomado posição na rede. Foi quando disse, que: homem que tem a inclinação do sofrimento dos peitos não deve se embelezar por mulher que saltita nas pontas dos pés igual cabrita na moita. Comecei a narrar ás mortes dos defuntos mais frescos que sucumbiram pela dor do adeus. Quando alcancei o quinto o rapazinho já estava jogando água no corpo. Saiu de casa e nunca mais voltou. Fiquei sabendo que está encastoado numa sirigaita ali do beco quente. Deve estar pertinho de sofrer novamente. Não tem essa, hoje em dia elas não perdoam mais ninguém. *Luís Gonçalves é publicitário, escritor e colabora com o DC Ilustrado (
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