ILUSTRADO
Sexta-feira, 14 de Maio de 2010, 20h:26
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TEATRO
Conto que virou peça
O espetáculo Aqueles dois está no Palco Giratório deste sábado. É baseado em texto do incensado e saudoso autor, Caio Fernando de Abreu
Claudio de Oliveira
Da Redação
Hoje sobe ao Palco Giratório do SESC Arsenal a peça Aqueles dois, do grupo de teatro mineiro Cia. Luna Lunera. O espetáculo será apresentado no salão Social, às 20h. O nome da Cia. dá o tom poético a que se propõem. Origina-se da canção homônima de Tony Fergo, com interpretação notável de Gregorio Barrios. Resgatada da trilha sonora do espetáculo "Perdoa-me por Me Traíres", Luna Lunera é uma expressão metafórica e poética, quase intraduzível lua de aura encantadora, "enluarante". Não se remete necessariamente à lua cheia (luna llena). Porém, é influente como ela, participando da vida dos enamorados, interferindo na natureza. Luna Lunera vincula-se, ainda, à ludicidade de tradicionais poemas latinos, cantigas de ninar e jogos de infância. A peça que está circulando o Palco Giratório deste ano é Aqueles Dois. Inspirada no conto de Caio Fernando Abreu lançado em 2007 marcou o projeto Observatório de Criação da Cia. Luna Lunera. Em 2008, o espetáculo foi convidado a participar da 17ª Mostra Contemporânea do Festival de Curitiba/PR e foi selecionado para o 9º FIT-BH - Festival Internacional de Teatro Palco e Rua, 8º Festival Internacional de Teatro de Rio Preto/SP e 1º Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia. Ganhador do 13º Prêmio SESC-Sated nas categorias Melhor Espetáculo, Melhor Direção (Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves, Rômulo Braga e Zé Walter Albinati). Também ganhador do 5º Prêmio Usiminas-Sinparc nas categorias Melhor Espetáculo, Melhor Direção (Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva, Odilon Esteves, Rômulo Braga e Zé Walter Albinati) e Melhor Ator (Rômulo Braga). Vencedor Prêmio SHELL SÃO PAULO 2009 com Melhor Iluminação, sendo ainda indicado como Melhor Direção e Cenário. A história daqueles dois conta a rotina de uma "repartição" - metáfora para qualquer ambiente inóspito e burocrático de trabalho, em que se revela o desenvolvimento de laços de cumplicidade entre dois de seus novos funcionários, gerando incômodo nos demais. É que num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra. O conto, publicado em sua primeira versão em Morangos Mofados (Brasiliense, 1982), faz parte de "Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século" (curadoria de Italo Moriconi, Objetiva, 2000). Nele, como praticamente em toda produção literária de Caio Fernando, são múltiplas as citações ou simples menções a artistas e obras de áreas diversas, locações urbanas, letras de músicas, filmes, épocas, onde o autor mistura despudoradamente seu universo biográfico e ficcional. Texto e espetáculo possibilitam uma diversidade de leituras e percepções sobre o universo daqueles dois, como numa provocação para que cada qual cuide de suas gavetas. Cenário, figurino, música e texto explicitam uma intencional simultaneidade abrangente a várias décadas, caminhos pelos quais os quatro atores percorrem (quase vadiamente, como Caio gostava), sejam como narradores ou sugerindo a presentificação das cenas e ambiências. O jogo textual e corporal entre atores, espaço e objetos é o esteio da proposta. Entre outros prêmios, além dos já citados, o espetáculo recebeu do 21º Prêmio Shell de Teatro de SP (2009) o de Melhor iluminação, tendo sido indicado ainda aos prêmios de Melhor Cenário e Melhor Direção na mesma edição.