ILUSTRADO
Sexta-feira, 05 de Setembro de 2008, 20h:19
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ALFAIATE
Como alinhavar a arte de bem vestir
Neste dia 6 é comemorado o Dia do Alfaiate, uma profissão que nem sempre é lembrada, mas que ainda possui clientela fiel e que aprecia a exclusividade
Exclusividade. Talvez seja esta a palavra que defina o sucesso de uma profissão, que de prova em prova, em corte perfeito, e bom feitio, ultrapassa a linha do tempo e alinhava mais do que roupas, mas a própria arte do bem vestir, deixando a costura sempre em alta. Em 6 de setembro é comemorado no Brasil, o Dia do Alfaiate, uma espécie de artesão, que com mãos de mestre parece esculpir do tecido a roupa sob medida ao bom gosto masculino. A profissão é considerada uma das mais antigas do mundo. Já ditou a moda no país e sobrevive graças ao amor dos mestres pelo ofício, e pela clientela cativa formada por quem busca mais personalização ao vestir-se. A palavra alfaiate é derivada do árabe alkhayyát, do verbo kháta que significa coser. O alfaiate Antonio Matoso de Oliveira é um exemplo de sucesso nesta profissão. Dos 58 anos de vida já dedicou 43 à alfaiataria. Começou cedo, com 15 anos de idade, como aprendiz, na cidade de Dourados, na época Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul. Ele está em Cuiabá desde 1986. Foi pelas mãos do seu cunhado que passou a conhecer o universo das máquinas de costura, do pedal, do dedal, das linhas perfeitamente organizadas em cores, dos variados tecidos nacionais e internacionais. Começou numa época que senhores, jovens e garotos valorizavam bem mais um ritual tradicional, quando o assunto era vestir-se bem para diversas ocasiões. Por outro lado, entretanto, por mais que existam as fábricas colocando no mercado produtos da moda, em grande escala, Antonio Matoso tem conseguido sobreviver da profissão confeccionando roupas artesanalmente para homens que não abrem mão de uma peça de caimento perfeito ao seu estilo. Assim, num mercado que ele define como de praticamente sem concorrência, o alfaiate atende empresários, políticos, dentre outras personalidades da sociedade, a exemplo do próprio governador de Mato Grosso, Blairo Maggi. O que o cliente deseja e procura nem sempre encontra numa loja especializada em moda masculina, e numa alfaiataria é possível comprar um terno, ou outro tipo de roupa, impecável, adequado ao corpo e exclusivo, corrigindo qualquer imperfeição no caimento. Os detalhes chegam a impressionar, constituindo-se na extensão do corpo e o homem expressa seu estilo através do que veste. Sou apaixonado por esta profissão, já cheguei a confeccionar 100 calças por semana entre os anos de 1973 e 1974, quando tinha sociedade com meu cunhado e uma equipe de profissionais, disse Matoso, destacando que hoje a falta de mão-de-obra qualificada tem sido um obstáculo para a expansão do negócio. É preciso que o profissional entenda desde tirar medidas, a cortar, fazer as provas, alinhavar e costurar. Quem busca a elegância de um terno feito artesanalmente, não discute o preço, custa de R$ 1.400,00 a R$ 6.800,00, mas o que levam em consideração é o produto feito a mão, e o tecido escolhido. Trabalhar com tecidos exclusivos faz a diferença e Matoso destaca os cortes ingleses e italianos, sendo o único representante, sobre medida, em Mato Grosso, da Ermenegildo Zegna, considerada como uma das marcas mais importantes na moda masculina em nível internacional, cuja procedência é italiana. Trabalha também com a Loro Piana, Dormeuil, E Thomas, dentre outros utilizados na alta costura mundial. O alfaiate quando é reconhecido, tem a fidelidade como uma espécie de marca registrada, e sua arte como a própria assinatura impressa. Antonio Matoso, por exemplo, só atende com hora marcada dando atendimento diferenciado para seus clientes. O alfaiate também confecciona camisas exclusivas, podendo ser personalizada com monogramas, com as iniciais dos interessados. Para se ter uma idéia de quanto é variada as opções em sua alfaiataria, ele dispõe de três a quatro mil cores e padrões. Matoso, fiel ao ofício que ainda garoto abraçou, tornando-se um competente alfaiate, afirma que a profissão de alfaiate não está em extinção, embora fossem mais requisitados no passado. Ainda resistimos ao tempo, a competição e a expansão industrial. O trabalho em série não agrada a todos e esta fatia de mercado, dos garbosos costumes, é bastante interessante, diz ele. Matoso assegura que os alfaiates não perderam a vez para os teares de alta tecnologia e os remanescentes da profissão têm feito sucesso e sem concorrência acirrada. Em sua trajetória, Matoso sempre trabalhou com gosto pelo que faz e lamenta que em Cuiabá não há escolas, como tem em São Paulo ministrando aulas deste ofício, sendo que a profissão, que já teve seu auge, em décadas passadas, se destaca pela prática, pelo dom e pelo compartilhar de um mestre. Nem sempre é necessária a aprendizagem técnica de maneira formal. Mas é necessário sempre o aprimoramento. Matoso está sempre se reciclando, inclusive, recentemente fez dois cursos, italiano e alemão, para conhecimento dos novos e modernos moldes. Existem diversas atividades relacionada a alfaiataria, o mestre-alfaiate, pode ser o proprietário do estabelecimento, habilitado quanto às medidas, corte, preparo e ultimação das peças do vestuário. O contra-mestre se dedica a tirar medidas, fazer moldes, cortar tecidos e provar as peças do vestuário. Tem ainda o ajudante de contra-mestre, que corta os tecidos, usando moldes, ou sob orientação do contra-mestre, o oficial-alfaiate, que costura as peças do vestuário, o oficial de paletó, que confecciona o paletó completo ou peças a rigor, o meio-oficial, aprendiz de oficial, que auxilia costurando pensas, fazendo bolsos, frentes, ilhargas e mangas e o ajudante, aprendiz que faz o ponto mole, chuleia, acolchoa entretelas, lapelas e baixo de gola, o coleteiro, oficial que confecciona todos os tipos de coletes, e o calceiro, oficial que confecciona todos os tipos de calças.