ILUSTRADO
Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009, 20h:26
A
A
EVENTO
Coloque a arte no liquidificador e voilá
As artes integradas raramente estão tão bem representadas como neste evento anarquista e inclusivo que mistura tendências e aponta um novo caminho
Claudio de Oliveira
Da Redação
O momento é de recordação de olho na bola de cristal do futuro. Uma pausa para homenagear aqueles que já foram e o movimento que iniciou a arte urbana contemporânea em Mato Grosso: Mecânica da Palavra. O Re-Mecânica da Palavra é um evento que se pretende anárquico e multifragmentado como o primeiro. Uma reunião de poetas, músicos, palhaços, atores, artivistas gente que liga, gente que enche a cara e se desliga, gente que cheira, que chora, gente que fuma, gente que detesta, enfim, acho que o Clube Feminino irá se encher de firulas áudio visuais de novo áudio de novo gente de novo visuais de novo sons gritos poéticos assaltos performáticos clowns descendo as escadas nos pés de personagens shakespearianos não pire não pule que a escada é alta! brinca com pleno domínio da língua o multimídia Eduardo Ferreira. O Mecânica da Palavra evento-movimento aconteceu em 1983 de lá para cá poucos sobrevivem na lida da arte. O caminho é longo e a periferia sintonizada pelo ar antigamente (leia-se instinto puro), ganha hoje os cabos e a celeridade da internet. A provocação atualmente ganha outros ares e reverbera, e às vezes age na vanguarda do movimento nacional e até mundial. Um exemplo claro é o Manifesto Música Pra Baixar MPB. O MPB extrapola tudo que tenho visto por aí porque nasceu de um sonho de artivistas, de pessoas que entendem o mundo e as relações entre as pessoas como uma grande comunhão, global, compartilhada, radical mesmo, na raiz. Que venham das casas das pessoas, das salas de aula, dos bares, das vilas e favelas, é hora de colocar tudo para o todo, ter a grandeza e a coragem de quebrar monopólios e portfólios, de botar o autor no lugar dos comuns junto com os comuns por que de deuses a nossa história já está cheia e nós já estamos de saco cheio desabafa Ferreira. Quem abaixa música não é pirata, é divulgador, frase emblemática do MPB obviamente não é entoada em coro uníssono, mas gera divergências especialmente entre aqueles que já possuem certo reconhecimento nacional e têm receio do que pode advir deste aparente liberou geral. É claro que não liberou geral e os artistas estão de olho é no potencial ilimitado da rede e na impossibilidade de subir as cachoeiras do Iguaçu de canoa. Não dá para controlar a internet e quem mais perde hoje é quem de certa forma lucrava nas costas do artista que participava como um empregado dando os lucros para o patrão sem receber a chamada mais-valia. Contudo, o movimento não é socialista, está mais como dizemos anteriormente para anarquista. Os novos modelos de gestão, de produção de software (chamados livres), de direitos autorais como o creative commons demonstram que é preciso muita organização e clareza nas relações. À noite você encontra: banda Strauss, Fuzzly, Lopez, Osviralata, Pio Toledo & Ellen, Mandala Soul, Toninho (Caximir), Branco ou Tinto, João Sebastião, Adir Sodré e chorinho, rock'n roll e performances. É gratuito, hoje, a partir das 18h no Clube Feminino, centro de Cuiabá.