ILUSTRADO
Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010, 19h:49
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FILME
Ciclo Yasujiro Ozu encerra
Depois do encontro e encantamento do público com uma cinematografia pouco conhecida, chega o momento de exibir o último filme realizado por Yasujiro Ozu, que finaliza o Ciclo em homenagem ao cineasta no projeto Imagens em Pauta. "A Rotina tem Seu Encanto (Sanma no aji, Japão, 1962) é atração desta terça-feira, 28 de setembro, às 19h, no CineSesc Arsenal. Entre os meses de agosto e setembro o Ciclo Ozu do Imagens em Pauta exibiu seis filmes do cineasta japonês Yasujiro Ozu (1903-1963) realizados entre as décadas de 1930 e 1960, desde os filmes silenciosos, com narrativas burlescas e planos mais movimentados, até os filmes em que o estilo Ozu se apresenta em toda sua intensidade e rigor. O cinema de Ozu é único. Nele podemos encontrar o suspiro profundo de um personagem velho e sem perspectivas de melhora na vida; a decepção de um garoto que não consegue realizar a mesma brincadeira que os amigos; o silêncio de um almoço; pequenas situações cotidianas, sem grandes conflitos, que, sob a ótica de Ozu, ganham relevância apontou a produtora cultural Juliana Curvo. Último filme de Ozu e um dos mais singelos, A rotina tem seu encanto conta a história do viúvo Shuhei Hirayama, um militar que lutara na Segunda Guerra Mundial como fuzileiro naval. Ele tem uma filha de 24 anos e um filho casado. Quando começa a sentir o peso dos anos, percebe que está na hora de casar sua filha. Começa então a arranjar o casamento com um jovem indicado pelos amigos. Ozu mostra uma sociedade ligada pelas necessidades familiares, a partir das relações entre pessoas que vivem em um mesmo teto. Nesse mundo do cineasta, real, portanto, à época, não havia crescido o individualismo. A família, antes sequer de um relacionamento a dois, era o mais importante. O que poderia ser uma história de perda, melancólica, dá vez a uma bela comédia de costumes. Aos poucos, as intenções de Ozu vão fazendo efeito. Contemplar o cotidiano, a rotina, é uma das maneiras de Ozu mostrar que todas essas pessoas apenas parecem frágeis e, em muitos casos, a calmaria faz com que elas simplesmente não pensem muito em tomarem atitudes drásticas. Preferem o lado comum, a beleza das pequenas coisas.