ILUSTRADO
Segunda-feira, 13 de Janeiro de 2014, 20h:08
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Católicos fazem representação contra Porta dos Fundos no MP
A Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família entregou ontem à tarde (13) uma representação criminal contra o grupo Porta dos Fundos no Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro. A entidade católica justifica o ato dizendo que o vídeo especial de Natal do grupo, postado no YouTube em 23 de dezembro passado, ofende garantias e princípios constitucionais, mormente o princípio de tolerância e respeito à diversidade. O vídeo um compilado de pequenas histórias sobre Adão e Eva, o nascimento e a crucificação de Jesus Cristo em tom de gague rasgada fomente a ira entre religiosos, levando a uma inusitada união por boicote e freios legais por parte de católicos e evangélicos. Há campanhas na internet de diversas denominações cristãs, neopentecostais, pentecostais e católicas, carismáticas ou tradicionais. O sentimento religioso deve ser respeitado. Não só católicos, mas nossos irmãos protestantes [sic, pentecostais] se sentiram aviltados, diz Paulo Fernando Melo, advogado e integrante da Associação Pró-Vida e Pró-Família, autor de uma das representações. O arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal dom Odilo Scherer, publicou crítica ao grupo em sua conta no Twitter em 5 de janeiro. Será que isso é humor? Ou é intolerância religiosa travestida de humor? Péssimo mau gosto!, escreveu. Em um vídeo difundido em sites cristãos e no Facebook, o pregador e missionário católico Anderson Reis convoca os insatisfeitos a assinarem uma petição on-line para solicitar ao Grupo Petrópolis, detentor da marca de cerveja Itaipava, que retire o patrocínio ao grupo. Além disso, sugere que entrem no site da Polícia Civil do Rio de Janeiro e registrem uma queixa contra crime de preconceito e ódio à religião. Em nota, o Grupo Petrópolis informou que não admite que suas marcas sejam relacionadas com tais manifestações, pois não representa o pensamento de seus diretores e que não endossa e não apoia qualquer manifestação que venha a atingir esses valores religiosos que se tem como sagrados. O grupo afirmou, porém, que respeita a liberdade de expressão garantida pela Constituição, bem como os princípios de fé de manifestação religiosa de todos. Na representação a ser encaminhada ao Ministério Público, Associação Pró-Vida e Pró-Família defende que a liberdade de expressão não pode ser utilizada como um escudo para atividades ilícitas e nitidamente tipificadas em nosso Código Penal, in casu, o vilipêndio público de ato ou objeto de culto religioso. E sustenta que, no vídeo de Natal, o grupo ridiculariza dogmas cristãos. Qual a intenção do grupo de fazer tal vídeo e publicá-lo na antevéspera do Natal? Não está clara a intenção de tripúdio e escárnio? Cada segundo do vídeo é uma afronta das mais comezinhas à fé cristã e a todos aqueles que são fiéis ao cristianismo, perfazendo em cada um dos seus dezesseis minutos e quarenta e dois segundos uma sucessão de escárnios, zombarias, tripúdios e vilipêndios, diz trecho da representação assinada por Hermes Nery, diretor de imprensa da associação. A entidade quer enquadrar o vídeo no artigo do Código Penal que trata do crime contra o sentimento religioso. Outros vídeos do grupo com temáticas semelhantes como Adão, Moda, Michelangelo são classificados, na representação, como outros exemplos de tentativas de escárnio da fé cristã. Segundo Melo, a pena prevista é pequena, e costuma ser transformada em prestação de serviços à comunidade ou pagamento de cestas básicas. Ele defende, no entanto, que a ação pode ter caráter educativo, para que o grupo seja mais comedido nos próximos vídeos. A assessoria do Porta dos Fundos informou que o grupo já se manifestou sobre o tema. Na semana passada, ao falar da polêmica criada em torno do vídeo, Antonio Tabet, um dos integrantes do grupo, declarou que jamais houve intenção de difamar nenhuma religião. A prova está em nossa equipe, na qual trabalham católicos, evangélicos, espíritas e até ateus.