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ILUSTRADO
Segunda-feira, 17 de Setembro de 2012, 21h:14

AUDIOVISUAL

Brasília é puro cinema

Desde ontem e até a próxima segunda-feira (24) a capital federal acumula o título de capital do cinema brasileiro

Lorenzo Falcão*
Da Editoria
O 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro teve sua noite de abertura ontem (17), no Teatro Nacional Cláudio Santoro, com um concerto da Orquestra Sinfônica de Brasília e a exibição do filme convidado, “A Última Estação”, de Marcio Curi, uma co-produção entre Brasil e Líbano que narra, com poesia e bom humor, histórias da imigração libanesa no Brasil na primeira metade do século XX. O concerto, sob a regência do maestro Cláudio Cohen, teve como convidado o compositor Patrick de Jongh, vencedor do Prêmio de Melhor Trilha Sonora com o filme Meu País, de André Ristum, na edição anterior do Festival. Patrick assina a trilha sonora do filme “A Última Estação”. A 45ª edição do Festival tem coordenação geral de Sérgio Fidalgo e coordenação adjunta de Graça Coutinho. Está em cartaz no Teatro Nacional a exposição Arte por Toda Parte, que apresenta o traço de artistas como Ronaldo Fraga, Sílvio Botelho, Mauricio de Sousa e Angeli sobre o cinema brasileiro. Além da Mostra Competitiva, que inicia nesta terça-feira (18), o festival promove uma série de eventos paralelos como seminários, oficinas, debates etc. Para hoje, na Mostra Competitiva, serão exibidos os documentários, a partir das 19h, “Câmara escura” (PE – 25’), de Marcelo Pedroso; e “Um filme para Dirceu”, (PR-80’), de Ana Johann. A partir das 21h são exibidos títulos de ficção e animação, “Linear” (SP-6’), de Amir Admoni; “Canção para minha irm㔠(PE-18’), de Pedro Severien; e “Eles voltam” (PE-100’), de Marcelo Lordello. A CARA DO CINEMA BRASILEIRO Um evento como este, que reúne produções de 11 estados, é propício para uma sondagem em torno de como os realizadores definem a ‘cara do cinema brasileiro’. Confira o que alguns cineasta responderam. “O cinema tem mil caras, que dependem da época e do ângulo visto. Hoje, do meu ponto de vista, o cinema parece uma coisa e é outra, parece que vai num rumo e segue outro. O cinema hoje é totalmente ‘Kátia’”. Karla Holanda (Kátia, PI, longa/doc). “A cara do cinema Brasileiro é do tamanho deste país e por ser tão grande carrega uma diversidade de olhares e visões de mundo muito diferentes, mas contêm em seu centro o que há de mais profundo em seu âmago, fome e cores”. Ana Johann (Um filme para Dirceu, PR, longa/doc). “Atualmente quero acreditar que é a mais plural possível”. Marcelo Lordello (Eles voltam, PE, longa/ficção). “A cara do cinema brasileiro é o seu povo, não poderia ser diferente. É branco, é preto, é amarelo e cor de rosa. É musical, tem muitas facetas, é novo e novíssimo. Salve Paulo Emilio Salles Gomes, que escreveu sobre a verdadeira importância do nosso cinema pra nossa gente!”. Allan Ribeiro (Esse amor que nos consome, RJ, longa/ficção). “Felizmente, o cinema brasileiro tem muitas caras. O cinema autoral cresce com diversidade, pois os novos realizadores têm produzido filmes pessoais, que falam em primeira pessoa, de uma maneira honesta e sincera. Sou contra a ideia de valorizar uma escola estética ou alguma fórmula, cada filme deve buscar sua própria identidade.” Pedro Severien (Canção para minha irmã, PE, curta/ficção). “A cara do cinema brasileiro é desfigurada, ainda bem :)”. Gabriel Mascaro (Doméstica, PE, longa/doc). O crítico de cinema Cid Nader (www.cinequano.art.br) também respondeu a nossa pergunta: O nosso cinema tem a cara do Brasil. Simples assim. Quando produzido pela grande distribuidora nacional (que divulga seus filmes na própria emissora de TV), costuma ser de pouca ousadia (quase sempre) estética, e fácil trânsito para públicos que preferem obras sem caroços a serem separados na hora da digestão. Quando produzido em “cooperativas” (os coletivos), rende frutos bem mais interessantes, com sabores e cores bem mais diversos (e muitas vezes representando os locais onde foram produzidos), mas com pouco alcance, já que a distribuição se faz complicada sem ajuda do poder do mercado de distribuição, restando quase sempre os Festivais para que ganhem alguma notoriedade “mercadológica”. E existe uma terceira parcela que tenta se virar por conta própria (como se fossem nossos autônomos), que em momentos tenta se unir aos grandes para ter chance de divulgação, e por outros que batalham insanamente e solitários. Nosso cinema é muito nossa cara como nação: nos aspectos positivos e negativos.” *O editor do DC Ilustrado viajou para DF a convite e com apoio unicamente do Festival

Edição EDIÇÃO 16962




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