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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Segunda-feira, 28 de Julho de 2014, 19h:59

HOLOFOTE

Bas-Fond

Hoje, o projeto Imagens em Pauta, do Cinema do Sesc Arsenal, dá seguimento ao seu ciclo especial com o cineasta norte-americano Nicholas Ray. A parir das 19h, será exibido, com acesso livre, o filme “A Bela do Bas-Fond”, título adaptado pra lá de cretino para o “garota festeira” (Party Girl) original. Como já foi dito algumas vezes aqui, vale muito a pena conferir mais um trabalho de um dos maiores realizadores da Era de Prata do cinema norte-americano. Especialmente nessas suas especialidades, ligadas ao chamado cinema noir, onde o que impera é o mistério policial carregado de sensualidade e uma sensação de mostra-esconde. Bas-Fond 2 Neste “Party Girl” de 1958, Nicholas Ray joga todo mundo por pouco mais de uma hora e meia na história de Thomas Farrell, um advogado que trabalha para o chefe mafioso Rico Angelo. O advogado sabe bem sobre a vida de quem o paga, mas segue chantageando, enganando, beneficiando e defendendo criminosos de tudo que é tipo. Bas-Fond 3 Acontece que Farrell não estava pronto para a mais prosaica das armadilhas da vida: o apaixonar-se inesperadamente por alguém. No caso, uma dançarina. “Aí”, como canta a letra de um rap famoso, “já era” – o homem entra numas de questionar a natureza de seus atos, de seus empregadores, do crime, e resolve entrar numas. Bas-Fond 4 Acompanhamos com desconforto essa não tão súbita mudança no comportamento de Thomas Farrell, afinal, mesmo canalhaço, ele era bastante simpático até a dançarina. E é assim, meio torcendo a favor, meio achando bem feito, é que acompanhamos ele tentando sair desse esquema de corrupção para ir viver seu amor redimido. Bas-Fond 5 Devo confessar que não lembro o desfecho, mas conhecendo a filmografia de Nicholas Ray, não é de se surpreender que a desgraceira que se prenuncia chegue a seu ápice. No release, povo do Sesc escreve que “Ray faz uma mistura explosiva de melodrama e filme de gângster”. É mais que isso, é cinema como há muito não é usual fazer.

Edição EDIÇÃO 16965




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