Exatamente! Não se trata de mais uma manchete de violência do caderno policial de todos os jornais da cidade. Equivoquei-me na chamada da matéria...? De maneira alguma: rapaziada, foi realmente um assalto. Que tive o prazer de presenciar ao som e sabor das geladas da noite. A blitzkrieg cultural se deu sexta passada, na boate Canela Fina. Fui convidado pela Blues Brothers Company, que surge no cenário com gás total. Rodrigo Müller e Paulo Toshio arrasaram com a cara de quem se arriscou a sair de casa. Como cuiabano, sei que a chuvinha de linhagem paulistana era prenúncio pra ficar no lar. Ganhei um alvará matrimonial. Também pudera, o blues entrou em minhas veias vindo pela didática da Rádio Itapema de Florianópolis (93.7 FM) nos distantes anos de 1995. Desde então, aprendi a apreciar o blues. As cores dos canhões rodopiantes de luzes do recinto trouxeram um tom de espetacular para a blues night. Com quatro câmeras digitais, rolava uma gravação, de boa. No futuro, a banda Whisky de Segunda talvez pense num DVD. Mas o CD que está tocando agora em meu notebook, adquiri com alegria. E ouço agora enquanto escrevo estas linhas com auxílio de minhas caixas Trust Speaker Set. Elas ajudam a recordar meu testemunho ocular e auricular de que não há distâncias entre o que rolou ao vivo e o que está gravado no álbum From Campo Grande to Chicago. É uma demonstração de que a capital de Mato Grosso do Sul está em contato com o melhor do blues no centro-oeste do país. Este CD foi gravado entre 12 e 17 de junho de 2014. No Joyride Studio na cidade de Chicago, Estado de Illinois, USA. Daí talvez se explique um pouco a autoridade artística da banda. Robson Pereira, o vocalista, tipo já cinquentão. Tem recursos de um John Lee Hooker mesclado a um Buddy Guy em suas cordas vocais. Jeferson Pasa domina perfeitamente sua guitarra. Cauê Fava tem uma relação de criativa amizade com seu baixo. E o batera Marcus Malagolini arrebenta com um sotaque de tambores afro-americanos de New Orleans. Os clássicos da modalidade rolaram todos: Overton, Dixon, Coleman, King, Waters e composições do grupo. A primeira banda da noite foi a Acoustic Blues Quartet. Acreditei já ter chegado na metade dessa apresentação. Da Coca-Cola pra molhar as palavras e seguir de geladas. Perguntei ao garçom da barra se já era o último grupo. Quando fui informado de minha fortuna. Eh, eh, eh! Estava só começando o show. Muito competente o quarteto bluzeiro. Só acho que da metade pro fim, exageravam no término de cada blues tocado. Saca, final de sinfonia de Tchaikovsky ou Beethoven, tá ligado? Quando uma célula rítmica e melódica se toca utilizando acordes por 06 compassos ou mais. Ficando meio over na música temática da noite: o blues não é como jazz, nem tampouco como a música clássica. Saí à francesa, sem a tietagem de pedir autógrafo no CD. Não tenho mais idade para isso... As Coca-Colas finais me recobraram o ponto estritamente sóbrio para voltar em segurança para casa. No carro em pensamentos fiquei desejoso de saber quanto tempo passará para ouvirmos outra noite de blues em Cuiabá. Esta é uma ausência muito sentida numa cidade onde havia uma única banda do gênero: a querida Expresso Vinil. Cujos membros, infelizmente foram para lástima de um considerável público embora do Estado de Mato Grosso. O que demonstra o quanto há por se fazer aqui. Em termos da construção de sólidas estruturas para exequibilidade plena de Políticas Públicas Culturais Multidisciplinares. O CD From Campo Grande to Chicago, da banda Whisky de Segunda, pode ser encomendado no site da banda: whiskydesegunda.com.br. *Ney Arruda é advogado, professor-doutor da UFMT, violinista, violista, cuiabano, pesquisador e mantém uma coluna semanal neste DC Ilustrado (
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