Fundada em 331 a. C. e por mil anos capital do Egito, a cidade portuária de Alexandria se destacou como importante pólo cultural por abrigar diversos cultos. Sob o domínio Romano, esse centro de estudos e conhecimentos é palco de uma das mais violentas rebeliões religiosas de toda História Antiga. Judeus e cristãos disputam a soberania política, econômica e religiosa da cidade. Entre o conflito, a brilhante astrônoma, matemática e filósofa Hypatia (Rachel Weisz) lidera um grupo de discípulos que luta para preservar a Biblioteca de Alexandria, considerada a maior do mundo antigo, que teria partido do acervo pessoal de Aristóteles. Em posições diferentes, dois deles disputam o seu amor: o prefeito Orestes (Oscar Isaac) e o jovem escravo Davus (Max Minghella). Entretanto, Hypatia terá que arriscar a sua vida em uma batalha histórica que mudará o destino da humanidade. Alexandria (Agora, EUA, 2010/FlashStar), do diretor chileno Alejandro Amenábar (dos densos Os Outros, Mar Adentro) retrata a ascensão do cristianismo com arrojo. Os personagens são fortes. É fascinante ver a determinação da marcante pensadora pagã a divagar sobre a posição dos planetas, quando a Terra ainda era considerada o centro do universo. Sem medo de ousar, Amenábar aborda a intolerância religiosa praticada pelos seguidores de Cristo que, com certeza, deve ter deixado o clero bem desgostoso. Um problema atemporal, tão grave e cruel naquela época quanto é nos dias de hoje. (J.C.).