ILUSTRADO
Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010, 19h:50
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CIRCO-ESCOLA
Até quando a gente segura a onda!?
SOSH2O, Circo e meio Ambiente rodou escolas e instituições em um momento propício para a reflexão. Ou mudamos a nossa ação ou sofremos a consequência
Existem coisas que parecem conspirar contra o tempo e outras vezes a favor dele, está sendo assim com o projeto SOSH2O, Circo e meio Ambiente aprovado pelo Conselho de Cultura e patrocinado pelo Fundo Estadual de Cultura e que somente agora pôde ser desenvolvido, isso porque o grupo de atores do Leite de Pedras, que em sua maioria fazem parte do corpo administrativo da instituição, estiveram com o tempo totalmente tomado durante o período de implantação do Ponto de Cultura, edital que a associação foi contemplada, e por isso foi preciso adiar um pouco a montagem, para que pudessem realizar a contento o espetáculo. O projeto despertou a atenção da SEDUC, secretaria de educação do Estado, promovendo um convênio com o circo-escola. A equipe de profissionais do Leite de pedras aproveitou a iniciativa para fomentar suas ações apresentando o espetáculo em algumas escolas públicas e outras instituições filantrópicas, escolheram estrategicamente as mais próximas da sede do ponto de cultura e outras que se mostraram interessadas em estabelecer uma parceria continuada. Iniciaram a séria de oito apresentações pelo colégio estadual Antonio Epaminondas no bairro Lixeira, escola estadual André Luiz, no bairro Consil, escola estadual Presidente Médici, no Araés, escola estadual Barão de Melgaço e Abrigo das Crianças Bom Jesus, ambos no bairro Dom Aquino, e no espaço do centro de saúde do bairro Lixeira, com as crianças da Creche Micaela, e adolescentes do programa municipal PETI e finalizará apresentando para o Abrigo dos Idosos na Avenida do CPA no dia 28 de setembro, terça-feira. Todo esse tempo veio a coincidir com o início da primavera e esse caos ambiental que estamos vivendo. A peça com a temática ambientalista SOSH2O, apropria-se de um exercício dos laboratórios teatrais, por sinal bem antigo! (a germinação da sementinha...) para discutir, sem discurso pré-montado, sem texto falado, um assunto bastante pertinente e necessário nos dias atuais: a água. Para isso, foi buscar nas cirandas e músicas de rodas, o ingrediente principal da saga da semente que virou rosa tendo como herói um galante perna-de-pau que a defende de seus bárbaros tiranos e seus monstros medievais. A trilha sonora foi entregue para a banda de retreta Prata da Casa que a desenvolve ao vivo, compondo a performance inusitada. A linguagem do circo, tem dessas magias cênicas que extrapola idade e moral da estória tão cobrada em se tratando de um espetáculo voltada para o público infantil. O premiado escritor José Saramago não acreditava em classificações literárias por faixa-etária: juvenil, infantil, dizia ele: Acredito é na boa literatura, as divisões fica por conta dos editores. O grupo preferiu não aprofundar nos discursos fatalistas e catastróficos do fim dos dias, encontrando nas cirandas e em alguns mitos, sua catarse emblemática - A florzinha como a Fênix, ressurge das cinzas após a tragédia pirofágica, o cerrado por sua vez, coitado, arde inclemente todos os anos e nos primeiros pingos dágua, ressurge triunfante, esbanjando verde no impressionante espetáculo da vida. Fica somente a pergunta incômoda: até quando!? (Com Assessoria)