ILUSTRADO
Terça-feira, 04 de Agosto de 2009, 20h:31
A
A
Alto astral vibrante
Se a maioria das pessoas tivesse ao menos metade do bom humor de Poppy o mundo seria um lugar bem melhor. Diretor muito sensível no retrato de gente comum e de seus dramas pessoais, o britânico Mike Leigh (Nu, Segredos e Mentiras, O Segredo de Vera Drake), volta a privilegiar o aspecto humano sobre a trama em Simplesmente Feliz (Happy Go Lucky, Inglaterra, 2008 / Swen) tendo em mão uma personagem rica e uma atriz que se encaixa à perfeição no papel Sally Hawkins, ganhadora de mais de 10 prêmios pelo papel, entre eles, o Leão de Prata em Berlin e o Globo de Ouro. Ela interpreta Poppy, uma professora inglesa de 30 anos cujo lema na vida é ser feliz. De um otimismo sem igual e amistosa, sua energia contagia quem chega perto dela. Dificilmente se chateia. Às adversidades seja o roubo da bicicleta ou a falta de um namorado responde com um sorriso. Nada afeta seu ânimo. Poppy tem o dom de aproveitar o máximo a vida, tirando o melhor de cada dia. O contraponto dessa personalidade vivaz (e igualmente excessiva) surge na figura de Scott (Eddie Marsan, ótimo), um instrutor de auto-escola mal humorado, preconceituoso, perturbado e com sérios problemas para controlar sua raiva, que testará todo o bom humor de Poppy, cuja vida está longe de ser perfeita. A moça, tampouco, é pueril, ou ingênua. Explorando a contendo o confronto entre os dois e tratando todo o resto displicentemente ao longo do filme, Poppy vive situações diferentes a cada momento e cruza com diversos personagens do cotidiano Leigh, que, também assina o roteiro original indicado ao Oscar 2009, faz da história dessa moça que dá muito mais do que recebe, um comovente libelo à felicidade. (J.C.)