ILUSTRADO
Sábado, 21 de Agosto de 2010, 11h:54
A
A
PAPO CULT
Agora o quê que é esse?
Na próxima quinta-feira o lançamento de um livro e a abertura de um evento direcionam as atenções para a tal da arte contemporânea. Vai lá...
Lorenzo Falcão
Da Editoria
Ouço o telefone chamando, chamando... Demora um pouco, mas alguém vai atender do outro lado. É sempre assim. É uma espécie de rotina sazonal para quem pratica jornalismo cultural em Cuiabá. Uma mistura de medo e prazer antecipado, pela produtiva conversa que vai rolar, me acompanha todas as vezes que telefono para a casa de Aline Figueredo. Alô... Ouço a voz ríspida e inconfundível do outro lado e emendo: Aline, aqui é seu admirador secreto. Uma interjeição rarefeita... Hummm. Continuo: Uma pessoa que sempre te liga pedindo algo de vez em quando.... Ela adivinha: É você Lorenzo... O que é que vai me pedir desta vez. Não foi na exposição da Mató, e agora quer me entrevistar pelo telefone..., castiga a fada madrinha mulher brava das artes plásticas do nosso pedaço. Aceito a bronca, há méritos. E faço de tudo para manter o laço afetivo com a mulher que, mesmo não sendo uma artista plástica, é a fonte mais preciosa e a figura mais importante da diversa e rica plástica mato-grossense. A conversação foi na quinta-feira passada, final da tarde. A pauta não era a exposição de Mató, em cartaz no Museu de Arte e de Cultura Popular (Macp) da UFMT. Era uma boa conversa com Aline (mesmo que curta), que sempre dá caldo, na carona de seu quinto livro que será lançado na próxima quinta (26/08), no Palácio da Instrução, durante o evento Diálogo Contemporâneo. Com o título Aline Figueiredo, é o quarto volume da Coleção Pensamento Crítico, publicada pela Funarte, sob a organização de Laudenir Antonio Gonçalves. Doze críticos brasileiros foram criteriosamente selecionados, com alguns de seus principais textos reunidos e publicados. Aline entre eles. Uma bela oferta para quem pretende entender cada vez mais que arte é também fruto de muito estudo, ralação e maturidade. Arte contemporânea, então... Ave Maria. Os outros livros dessa mulher de Corumbá, filha de um cuiabano com uma cacerense, são Artes Plásticas no Centro Oeste (1979), Arte aqui é Mato (1990), A Propósito do Boi (1994) e Dalva de Barros Garimpos da Memória (2000). Ela chegou a Cuiabá, vinda de Campor Grande (hoje, MS), em 1973. Por lá já militava nas artes e aqui foi logo idealizando e fundando espaços como o Macp e a Fundação Cultural. Locais que vingaram como terrenos férteis para que a natureza exuberante desta região encontrasse o porto seguro para sua metáfora. O resto ficou por conta dos artistas que vem fazendo o dever de casa. Às vezes malemá, outras vezes demais de bom. Minha conversa com Aline tenta se encompridar. Quero que ela compare outras décadas com as atuais. Mais uma bronca: Esquece esse assunto... Não quero falar sobre isso. Vai lá na exposição da Mató e assina seu nome no livro de presença. É isso que você tem que fazer. Aline sugere que os artistas precisam ser domados. Cobra maturidade deles. Estudar, se aprofundar são possibilidades inadiáveis para quem quer fazer arte. Arte não é futebol, chega a dizer ela. Imagino que a caixinha de surpresas da arte seja bem diferente. Nunca fui um jornalista muito insistente e resolvo tirar meu time de campo. Termino a reportagem, digo, a conversação com Aline, prometendo que estarei lá no Palácio da Instrução, onde antigamente ficava a Fundação Cultural, na próxima quinta-feira para o lançamento de seu novo livro. Você já tem o livro?, indaga ela. Respondo que não e gostaria de ganhar um exemplar. Você vai ter que comprar, a edição não é minha e só tenho um, conclui Nhanha.