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ILUSTRADO
Sábado, 05 de Maio de 2007, 13h:11

RESENHA

A nova geração de músicos que surge em Mato Grosso

Um programa especial da empresa Furnas selecionou jovens músicos do Estado

Nem só de música para orquestra vive o cenário clássico de nosso Estado. Tem-se também ambiente para a música de câmara. Sábado passado o Palácio da Instrução abriu seus portões para um recital camerístico. Era um programa especial executado pelos jovens instrumentistas selecionados por Furnas Centrais Elétricas. A edição 2006 de seu projeto ‘Geração Musical’ veio a Mato Grosso e examinou muitos talentos da mocidade erudita. O concerto polinstrumental do fim de semana anterior foi um prêmio pela vitória na seletiva realizada. Interessante observar que a partir do século XVII, os monarcas europeus ouviam pequenos grupamentos musicais do almoço ao jantar. Na ausência da ‘eletrola’ e energia elétrica, os príncipes e suas cortes reuniam-se em salas chamadas ‘câmaras’. Ali passavam horas entretidos pelo divertimento sonoro de seus músicos e compositores residentes. No século XXI, essa tradição continua a se eternizar, inclusive porque muitos compositores não deixaram morrer a arte de compor música de câmara. E os músicos continuam estudando-a com carinho e dedicação a vida toda. Desde tenra idade, os instrumentistas aprendem a valorizá-la. Pois a música de câmara ensina os princípios fundamentais da sonoridade, dinâmica e afinação. Claro que só se aprende a tocar bem quando se trabalha a leitura musical em pequenos grupos como piano e violino. Para tanto, é preciso ter organização com as partituras musicais e disciplina no cumprimento de horários. Dos músicos inscritos no certame de Furnas sobreviveram às provas apenas 07 músicos. O recital apresentado é a performance desses finalistas com 02 ou 03 peças, cada um. No transcurso das execuções foi possível ouvir, por exemplo, a música de Johann Sebastian Bach (1685 – 1750). Este compositor representa o auge do estilo Barroco na Alemanha. É tido como o maior ‘contrapontista’ de todos os tempos. Todo músico clássico adora Bach. Talvez por seu domínio total das progressões harmônicas e porque escreveu para dezenas de instrumentos. Daniel de Lima interpretou de Bach um prelúdio originalmente escrito para alaúde. Hoje, muito apreciado pelos violonistas clássicos no moderno violão. Ouviu-se também a violinista Gliciane Chiarelle que tocou com o colega Anderson Rocha uma obra do austríaco Ignaz Josef Pleyel (1757 – 1831), para dois violinos solo. A platéia atenta ainda conferiu no recital coletivo o percussionista Alex Teixeira. Ele trouxe obra do compositor Roberto Victorio para o instrumento chamado vibrafone. Victorio, além de se destacar como docente da UFMT, é reconhecido e premiado compositor nacional com obras executadas e gravadas no exterior. Os músicos desfilaram suas peças sem perda de tempo no palco. Todos nós tivemos uma grande chance de ouvir a música de Claude Debussy (1862 – 1918). Foi a vez da imantante voz de Carolina Caporossi que alegrou os corações dos melômanos com sua delicadeza e presença de espírito. A cantora premiada escolheu bem Debussy. Este compositor francês foi quase um autodidata. Dizem que ele mudou sozinho o curso da história da música francesa. Inovou com timbres, harmonias e texturas de sua linguagem musical que resultou por dissolver as convenções tradicionais de sua época. Embora hoje Debussy seja uma referência do ‘Impressionismo’ europeu, é possível que seu triunfo se deva ao fato de ter estudado as correntes estéticas do Oriente. O ‘Programa Furnas Geração Musical’ ocorre em vários Estados. Este projeto social conta com o apoio, por exemplo, da Escola de Música do Paraná, do Departamento de Música da UnB, da Faculdade de Música do Espírito Santo. Em Cuiabá, a coordenação local é do Projeto Ciranda. Este é o majestoso fruto do labor consagrado em prol da juventude musical mato-grossense. As novas gerações de instrumentistas clássicos agradecem. *Ney Arruda – professor, músico e advogado cuiabano ([email protected])

Edição EDIÇÃO 16966




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