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Cuiabá MT, Domingo, 14 de Junho de 2026

ILUSTRADO
Sábado, 19 de Janeiro de 2013, 13h:24

REGISTRO

A intimidade da geração beat em fotos

Em 1953, uma pequena câmera fotográfica Kodak usada atraiu a atenção de um jovem estudante e conseguiu, assim, um novo dono. Era Allen Ginsberg, que a partir daí passaria a fotografar a si mesmo e a seus amigos em Nova York, em São Francisco e em suas viagens pelo mundo. A turma incluía aqueles que se tornariam os principais nomes da geração beat: Jack Kerouac, William S. Burroughs, Gregory Corso e Neal Cassady. Apenas dois anos depois, Ginsbourg lia na Six Gallery, em São Francisco, seu poema “O Uivo”, chamando a atenção para um novo caminho que estava sendo trilhado na literatura americana. Em 1957, foi a vez de Kerouac ser saudado por seu romance “On the Road”, no qual as bases da geração beat eram expostas: a celebração da liberdade, a rejeição dos valores da classe média americana e o menosprezo pelo materialismo. Registro da trajetória desse grupo, as fotografias de Ginsberg podem ser vistas agora na Grey Art Gallery, da Universidade de Nova York (NYU). A exposição “Beat Memories: The Photographs of Allen Ginsberg”, que foi inaugurada ontem e segue até o dia 6/4, reúne 94 fotos em preto e branco, muitas delas com comentários manuscritos do poeta. O material é acompanhado por poemas datilografados, textos manuscritos, cartas, desenhos e rascunhos produzidos por Ginsberg e pelos amigos que fotografou. A mostra é dividida em duas seções. Uma exibe as primeiras fotos de Ginsberg, que o poeta definiu, tempos depois, como lembranças casuais que ele fazia para gravar “certos momentos na eternidade”, sem a intenção de mostra-las para ninguém fora de seu círculo de amizade. Eram, para ele, como “olhar, para trás para um momento fugaz em um mundo flutuante”. A segunda parte traz as imagens que Ginsberg produziu posteriormente, do início dos anos 1980 até sua morte, em1997. De acordo com os organizadores da mostra, o poeta abandonou a fotografia nos anos 1960, para se concentrar na literatura. Mas, em 1983, retomou a atividade, inspirado pela descoberta de seus antigos negativos e encorajado pelos fotógrafos Berenice Abbott e Robert Frank. Ginsberg imprimiu novamente antigas fotografias e voltou a retratar pessoas próximas, como o músico Bob Dylan e o pintor Francesco Clemente. Nessa época, ele também passou a promover ativamente sua produção fotográfica, que chegou a ser exposta em galerias e publicadas em livros. Ao revisitar seu trabalho nos anos 1980, ele também adicionou comentários sob as fotos, descrevendo sua relação com o fotografado e recordações de experiências que viveram juntos. Fora esse apelo documental, a exposição destaca outras qualidades desse acervo. A ideia é mostrar que o mesmo olhar atento e libertário que Ginsberg lançou sobre o mundo com sua poesia também permeia as imagens que ele registrou a partir das lentes da máquina fotográfica. A exposição também será exibida no Contemporary Jewish Museum, em São Francisco, de 23/5 a 9/11. (valor Econômico)

Edição EDIÇÃO 16962




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