ILUSTRADO
Quarta-feira, 26 de Junho de 2002, 19h:00
A
A
CURSO
A arte da dança de Francisco Timbó
Primeiro bailarino do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Francisco Timbó esteve na capital para ministrar um curso de dança na UFMT. Admirador da cultura regional, ele entende que seria importante que Cuiabá tivesse um festival de dança
MÍRIAM BOTELHO
Da Reportagem
Trabalho, talento, sorte e muita persistência. É assim que Francisco Timbó, 1º bailarino do Teatro Municipal do Rio de Janeiro descreve sua trajetória vencedora. Ele até poderia morar em outro país, convites não faltam, porém, segundo o artista, é aqui no Brasil o seu compromisso social. Um homem com os pés no chão e o sonho de viver em um país em que: escola, teatro, música e dança sejam acessíveis a todos. Uma cidade sem arte é uma cidade sem alma. É preciso que a arte e o esporte recebam uma melhor atenção do governo, assinala. Francisco Timbó esteve em Cuiabá realizando o curso A Arte da Dança na Educação Física. As aulas aconteceram na sala de ginástica e dança do ginásio da UFMT. O curso foi gratuito e reuniu muita gente. Sobre o curso, ele diz que não adianta querer entrar em forma com uma má orientação. É preciso fiscalizar as academias, e se preocupar com a alimentação. Quero que aprendam que concentração é tudo. O ideal, segundo Timbó é que os alunos tenham acesso a novas oficinas. Gostaria de voltar algumas vezes, se credencia. Sobre a dança, diz que, no início, havia por parte dele, muito preconceito. Achava que não era coisa para homem. Porém, a dança foi entrando em suas veias. E o mundo da arte mudou a sua maneira de encarar a vida. Timbó vem de uma família numerosa, 10 irmãos. Ele é de Fortaleza, e começou na arte aos 10 anos quando iniciou os estudos no Sesi de dança, música, teatro, saltos ornamentais e ginástica. Aos 15 anos estagiou no corpo de baile de São Paulo e, logo depois, fez concurso para a escola Mudra de Maurice Bejart, em Bruxelas, ocasião em que foi o único escolhido entre vários concorrentes, quando ganhou uma bolsa de estudos da Fundação Roberto Marinho. No exterior Francisco Timbó já atuou em companhias famosas como a do Ballet Nacional de Cuba; Ópera de Frankfurt, na Alemanha e Ballet Teatro L´Ensemble, na Itália. Em 1994 foi o vencedor do Premio Mambembe como melhor bailarino nacional, onde pela primeira vez um bailarino foi premiado nesta categoria. É partner de Ana Botafogo e ao longo destes anos tem se apresentado em importantes papéis e peças de repertório do ballet clássico internacional. O artista pretende ainda este ano realizar uma grande turnê pelo Nordeste, que contará com alguns solistas, e, é claro, a amiga Ana Botafogo. Para Timbó seria importante que Cuiabá tivesse um festival de dança, como já acontece em Mato Grosso do Sul. Seria uma forma de incentivar um intercâmbio com a dança produzida em todo o País, e fornecer lazer a toda comunidade. No seu repertório o bailarino tem alguns clássicos, como os principais papéis em Gisele, Don Quixote, O Lago dos Cisnes, A Bela Adormecida, Coppélia, O Quebra Nozes, Raymunda, La Fille ma Gardée, Paquita e La Bayadére.