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Sexta-feira, 02 de Julho de 2010, 20h:07

QUE SOFRIMENTO

Uruguai volta à semifinal após 40 anos

E a volta da ‘celeste’ foi graças Suárez, que no último minuto da prorrogação salvou sua seleção fazendo pênalti, que Gana desperdiçou

FELIPE MENDES
Da Agência Estado - São Paulo, SP
A seleção do Uruguai sofreu, mas conseguiu faturar a vaga na semifinal da Copa do Mundo da África do Sul ontem. Mesmo com a torcida contra, o bicampeão eliminou a equipe de Gana nos pênaltis, por 4 a 2, após empatar por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, no Estádio Soccer City, em Johannesburgo. Agora, os uruguaios terão pela frente a Holanda, algoz da seleção brasileira. A classificação foi conquistada depois de muitos sustos. O primeiro aconteceu no final do primeiro tempo, quando Muntari abriu o placar. Forlán empatou no início do segundo tempo e manteve a esperança uruguaia. Na prorrogação, Gana quase surpreendeu no último minuto. Suárez acertou a mão na bola em cima da linha do gol e foi expulso. No pênalti, Gyan acertou o travessão e perdeu a chance de fazer história na África do Sul. Com a vaga, o Uruguai encerrou um jejum de 40 anos no Mundial. A seleção bicampeã mundial, em 1930 e 1950, não alcançava a semifinal desde a Copa de 1970. Os uruguaios agora terão pela frente a Holanda, na terça-feira, às 15h30, no Estádio Green Point, na Cidade do Cabo. O JOGO - Depois de um início lento e cauteloso, o Uruguai tomou a iniciativa do jogo, sob o comando de Diego Forlán, que atuou como atacante nesta sexta. O principal jogador do time foi o responsável pelos primeiros lances de perigo da partida. Aos 17, cobrou escanteio para Cavani, que escorou de cabeça. A bola desviou em Mensah e quase surpreendeu o goleiro Kingson, que fez a defesa no susto. Aos 24, Forlán aproveitou vacilo na saída de bola de Gana e bateu de fora da área. A bola passou à esquerda do gol, com perigo. A equipe de Gana, que até então se recolheu na defesa, decidiu entrar no jogo somente a partir dos 29 minutos, com o zagueiro Vorsah. Ele subiu sozinho, após escanteio, e cabeceou rente à trave, à esquerda de Muslera. A situação do Uruguai ficou mais complicada quando o zagueiro Lugano, capitão da equipe, sofreu falta no ataque e precisou ser substituído, aos 37. Com sua saída, o time sul-americano passou a atuar com a zaga reserva, com Victorino e Scotti, já que Godín, machucado, nem entrou em campo. O gol acabou saindo nos acréscimos. Aos 46, Muntari arriscou de longe, em chute despretensioso, e contou com uma curva da bola para surpreender o goleiro Muslera, que não a alcançou no canto esquerdo. Na volta do intervalo, a equipe africana manteve o bom ritmo no final da etapa anterior e parecia embalar para confirmar a vitória. Mas o Uruguai reagiu e voltou ao jogo aos 9 minutos, em cobrança de falta de Forlán. Ele bateu com categoria e igualou o placar. O atacante chegou ao seu terceiro gol e se manteve na briga pela artilharia do Mundial. O empate motivou novamente os uruguaios, que voltaram a controlar o jogo. Aos 17, Suárez desperdiçou grande chance de passar à frente no placar. Forlán avançou pela esquerda e levantou na área. O atacante aproveitou saída errada de Kingson e surgiu pela direita, completando com perigo para gol, à esquerda do gol. Mais solto em campo, o Uruguai jogava mais aberto em busca do gol da virada. O técnico Oscar Tabárez colocou "El Loco" Abreu em campo para deixar o time mais ofensivo e o time começou a enfileirar chances desperdiçadas. No tempo extra, Gana foi para cima e esboçou uma pressão sobre a defesa uruguaia. Mas o ímpeto africano não resistiu aos primeiros 10 minutos. O jogo caiu ainda mais de ritmo na segunda etapa da prorrogação. O Uruguai passou a atuar mais recuado, arriscando pouco no ataque. Gana, por sua vez, tomava mais iniciativa no setor ofensivo, mas cometia os mesmos erros nas finalizações. Depois de tanto insistir, Gana quase chegou ao gol da vitória no último minuto da prorrogação. Em uma sequência incrível na pequena área uruguaia, o goleiro Muslera e o zagueiro Scotti salvaram a bola na linha, duas vezes. No rebote, Suárez evitou o gol, também na linha, com as mãos e foi expulso. Na cobrança do pênalti, Gyan mandou no travessão e levou o confronto para as penalidades. Nas cobranças, Forlán, Victorino e Scotti converteram com tranquilidade. Gyan, que havia desperdiçado no tempo extra, e Appiah também marcaram. Porém, Mensah e Adiyiah pararam na defesa do goleiro Muslera, enquanto Maxi Pereira mandou por cima do travessão. A finalização decisiva foi de Abreu, que repetiu a final da Taça Rio, do Campeonato Carioca deste ano, e garantiu a classificação uruguaia com uma cavadinha. URUGUAI – 1 (4) Muslera; Maxi Pereira, Victorino, Lugano (Scotti), Fucile; Arévalo, Pérez, Cavani (Abreu), Álvaro Fernández (Lodeiro); Forlán e Suárez. Técnico: Oscar Tabárez. GANA – 1 (2) Kingson; Pantsil, Mensah, Vorsah, Sarpei; Annan, Muntari (Adiyiah), Inkoom (Appiah), Boateng, Asamoah; Gyan. Técnico: Milovan Rajevac. Gols - Muntari, aos 46 minutos do primeiro tempo. Forlán, aos 9 minutos do segundo tempo. Cartões amarelos - Fucile, Pérez, Arévalo (Uruguai); Pantsil, Sarpei, Mensah (Gana). Cartão vermelho - Suárez (Uruguai). Árbitro - Olegário Benquerença (Portugal). Local - Estádio Soccer City, em Johannesburgo (África do Sul).

Edição EDIÇÃO 16962




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